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Mãe luta há dois anos com para conseguir diagnosticar se filho tem autismo

Falta de profissionais na saúde pública de SG é o principal empecilho para o diagnóstico

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 10 de novembro de 2020 - 17:36
Pequeno Davi Miguel, de 5 anos, precisa realizar exame para diagnosticar o autismo com urgência
Pequeno Davi Miguel, de 5 anos, precisa realizar exame para diagnosticar o autismo com urgência -

Por Thalita Queiroz

Há dois anos uma mãe vive a angústia de não saber ao certo se o seu filho de cinco anos tem mesmo autismo. E essa demora no diagnóstico estaria ocorrendo, segundo ela, por falta de médicos capacitados na unidade pública de saúde de São Gonçalo. Carla Aparecida Oliveira, de 35 anos, mãe do pequeno Davi Miguel de Jesus Olanda, está com um pedido de ressonância magnética em mãos há dois anos e, desde então, vem tentando uma vaga para realizar o procedimento, sinalizado como urgência por um dos médicos da Abrae (Centro Especializado em Reabilitação). Mesmo com o pedido de urgência, o pequeno Davi Miguel não recebeu o imediatismo necessário.

Pedido do exame para Davi Miguel
Pedido do exame para Davi Miguel |  Foto: Divulgação
 

O resultado da negligência na área da Saúde está sendo visto nestes últimos anos. Davi Miguel já passou por três convulsões e o seu quadro clínico só piora. Sem condições de custear o exame, a dona de casa tenta chamar a atenção da Saúde de São Gonçalo para que o seu caso seja analisado com mais atenção.

“A ressonância ainda não foi liberada mesmo depois de tanto tempo. Esse exame já está autorizado mas não tem médico em São Gonçalo para fazer, por ele ser criança seria preciso seda-lo. Não tem médico para onde encaminhar e assim já se passaram dois anos na fila esperando”, conta Carla.

Em uma peregrinação para conseguir vaga em algum hospital, Carla descobriu que há um hospital no Rio onde há médicos capacitados para realizar o procedimento, mas que somente a secretaria de Saúde de São Gonçalo poderia fazer o encaminhamento, o que não é feito.

A mãe de Davi Miguel só consegue lamentar, já que o diagnóstico poderia ter sido feito muito antes e, assim, as crises da criança estariam mais controladas. “Os médicos dizem que o caso é de urgência. Hoje meu filho não fala, é agitado, se agride, para dormir tem que tomar remédio e usa frauda até hoje”, relata a dona de casa.

A falta de diagnóstico também está trazendo riscos à educação do menino, já que a escola em que Carla tentou finalizar a matrícula alega que primeiro é preciso o diagnóstico de autismo para somente então solicitar um profissional competente para a unidade de ensino. “Ele tem que passar ainda pela pré-escolinha, já está atrasado”, lamenta a mãe de Davi, que fica com o sentimento de fraqueza por não conseguir solucionar a situação.

O jornal O São Gonçalo questionou a secretaria de Saúde de São Gonçalo para entender quanto tempo mais o pequeno Davi Miguel teria que aguardar até conseguir fazer o exame. Também foi perguntado o motivo do exame ainda não ter sido encaminhado para outra cidade, já que em São Gonçalo não teriam médicos disponíveis para fazê-lo. Em uma breve nota, a Saúde afirmou que a criança necessita de sedação e acompanhamento do Estado, realizado pelo Rio Imagem.

Porém, a mãe de Davi Miguel reforça que em nenhum momento, durante estes dois anos, os funcionários da unidade de atendimento haviam mencionado o acompanhamento do Estado. "Eles nunca falaram isso para gente, o que nos foi informado é que deveria aguardar um local com médicos para fazer este procedimento", reafirma Carla.

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