Após rompimento de adutora, moradores esperam há cinco anos por reparo da Cedae
Confira vídeos e fotos das rachaduras
Por Ana Carolina Moraes*
Imaginar estar em sua casa e não ter certeza se esta vai ou não cair? Esse é o medo constante que vive o casal de aposentados Walmir Gomes de Paula, de 68 anos, e Ângela Maria dos Santos Paula, de 67 anos. A família vive com uma "dor de cabeça" há cinco anos. Isso porque, em 2015, uma adutora da Cedae rompeu e destruiu canos, principalmente um localizado na Rua Ubirajara, no Vila Três, em São Gonçalo, como noticiado pelo jornal O SÃO GONÇALO (clique aqui para ver a matéria). Com a destruição, a casa de número 194, que fica nesta rua e pertence ao casal de aposentados, ficou inundada e seus móveis foram destruídos. Parte desse problema persiste e se prolonga até os dias hoje.
Segundo Ângela, em 2015, após o rompimento da adutora e, consequentemente, do cano que fica próximo à sua casa, a Cedae foi ao local e realizou os reparos necessários, fornecendo até mesmo um valor para que ela restituísse seus móveis perdidos de quando sua casa foi inundada pela água do cano e da adutora.
"Em 2015, eles me atenderam bem. Quando a adutora estourou, minha casa ficou inundada. Eles nos deram todo o suporte. Pintaram nossa casa, pediram que fizemos um orçamento do que perdemos e eles nos pagaram, desentupiram nosso vaso que estava cheio de terra. Foi um desespero em 2015 quando tudo isso acontece, meu sofá foi estragado, meu computador, minha estante..., mas eles resolveram tudo. Na época, eles falaram que ficaria faltando apenas consertar o muro, já que a água teria escavado por baixo dele, mas, depois disso, nunca mais nenhum deles veio aqui", contou a aposentada.
Com a situação, dona Ângela e sua família foram esquecendo do caso, já que, aparentemente, estava tudo controlado. Eles até ligaram algumas vezes para falar com a Cedae sobre a promessa de retorno para ver o muro, mas ninguém retornou. Assim, o casal foi vivendo a vida até que o terror começou novamente em 2018.
"Nós começamos a perceber que o muro começou a entortar, que ele está caindo, juntamente com o muro da frente da minha casa, já que os dois são ligados. As colunas que ligam o muro ao teto estão rachando. Minha sala também tem ficado encharcada. Quando chove, ficamos com medo de tudo desabar, tiramos até o nosso carro da garagem por medo do muro e do chão rachados", contou Ângela.
Ela disse que começou a perceber isso em 2018, pois houve outros vazamentos e rompimentos de cano menores na região. Estes não a afetaram diretamente, mas a água vazada escoava por debaixo de seu muro. Ela ligou para a Cedae e, em 2019, os técnicos da empresa chegaram a ir no local, mas nada foi resolvido.
"Em 2019, veio uma equipe aqui, olharam tudo, registraram tudo e disseram que retornariam com uma resposta para o problema em 15 dias. Não houve retorno. Abrimos um processo na Cedae sobre o caso, mas, com a pandemia, ele foi atrasado. Agora, em 2020, eles falaram que já se passaram cinco anos do caso, que deveríamos ter visto isso antes e agora eles não podem consertar. Mas, eu não sou engenheira, eu não sei essas coisas, eles ficaram de vir aqui e nunca vieram. Entramos com um advogado que está nos auxiliando no caso. Queremos ajuda!", disse a aposentada de 57 anos.
O medo do futuro e do tombamento da casa assolam as noites de Ângela e de Walmir. "Nossa sala fica encharcada, é uma coisa estranha. É uma casa de família, pedimos ajuda!", disse Ângela sobre o caso.
Em nota, a Cedae informou que "em 2015 ressarciu o proprietário do imóvel pelos danos causados em decorrência do ocorrido naquele ano. Cabe informar que a tubulação antes existente no local hoje encontra-se desativada, não havendo possibilidade de vazamento na mesma."
*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas