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Cientistas da UFRJ apoiam retorno escolar desde que com segurança

"É preciso alerta para minimização de riscos de exposição", afirma GT

relogio min de leitura | Redação 03 de novembro de 2020 - 16:48
Imagem ilustrativa da imagem Cientistas da UFRJ apoiam retorno escolar desde que com segurança

O Grupo de Trabalho (GT) Multidisciplinar da UFRJ para Enfrentamento da COVID-19 emitiu nota técnica na última sexta-feira, 30/10, em que pontua que a “reabertura das escolas é necessária e imprescindível e que tão importante quanto, são os pontos que não devem ser ignorados para que o retorno aconteça de forma a minimizar os riscos de exposição tanto das crianças e adolescentes quanto dos professores e funcionários”.

A nota se refere à rede escolar do estado do Rio de Janeiro. “Precisamos agir para que o retorno às aulas aconteça o mais breve e da maneira mais segura possível para alunos e profissionais envolvidos”, afirma o GT.

“Conclamamos as autoridades federal, estadual e municipais a efetuar os procedimentos necessários para o retorno presencial no menor prazo possível, asseguradas as condições de segurança à saúde necessárias a todos os envolvidos e que, neste retorno, todos os alunos tenham acesso de igual modo ao conteúdo do ensino, seja de forma remota ou presencial. A dinâmica do dia a dia da comunidade escolar precisa ser resgatada, sob pena de termos efeitos mais danosos e irreversíveis sobre as perspectivas de vida de toda uma geração, principalmente os mais vulneráveis”, destaca o grupo de pesquisadores.

Após examinar dados existentes até o momento, os cientistas do GT avaliam que as escolas não parecem desempenhar importante papel na transmissão do novo coronavírus. “Estudos realizados em fevereiro e março, ainda antes das medidas de isolamento social serem implementadas (portanto sem isolamento) já sinalizavam algumas lições: existem poucos relatos de transmissão a partir de crianças, levando a grandes surtos, especialmente no cenário escolar e a transmissão na comunidade de crianças mais velhas é maior”, afirmam.

Por outro lado, lembram que outros estudos demonstraram que o papel do adulto na cadeia de transmissão na escola é significativamente mais expressivo, como em Singapura, através do estudo de três casos que se apresentaram sintomáticos dentro da escola: duas crianças de cinco e oito anos adoeceram sem transmissão secundária, enquanto um adulto adoeceu transmitindo para outros 16 adultos dentro da escola, que levaram, em seguida, para 11 familiares.

“A experiência internacional nos ensina que existe um caminho para a reabertura de escolas, através da implementação de medidas para minimizar o risco de transmissão viral. Embora a faixa etária pediátrica seja menos suscetível às formas graves da COVID-19, existe risco de a criança ser infectada em qualquer idade, por isso as medidas de mitigação não podem ser negligenciadas sob nenhuma hipótese”, salientam os cientistas da UFRJ integrantes do GT.

Segundo os pesquisadores, após sete meses com as escolas fechadas, é preciso reavaliar os benefícios e os “efeitos colaterais” da medida, como o fato de que a evasão escolar corre o risco de aumentar de forma irreversível.

Coordenado pelo pesquisador Roberto Medronho, o GT sinaliza que “o exemplo no uso de máscaras, higienização das mãos e distanciamento deve ser feito e liderado por professores, pais e responsáveis. Deve também ser enfatizado que ninguém deve ir à escola ao menor sinal de doença”.

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