Papa Francisco defende união civil entre homossexuais: "São filhos de Deus"

"Homossexuais têm direito de constituir uma família", diz Francisco

Enviado Direto da Redação
Declarações aparecem em documentário italiano

Declarações aparecem em documentário italiano

Foto: Divulgação/Vatican News

Um documentário que entra em cartaz na Itália nesta quarta-feira (21) mostra um trecho onde o Papa Francisco afirma que os homossexuais precisam ser protegidos por lei de união civil. O pontífice afirmou ainda que as pessoas homossexuais têm direito de constituir uma família. O filme traz uma das formas mais claras já usadas por Francisco para comentar os direitos da comunidade LGBTQ+.

"As pessoas homossexuais têm direito de estar em uma família. Elas são filhas de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deverá ser descartado ou ser infeliz por isso", afirma ele no documentário "Francesco". "O que precisamos criar é uma lei de união civil. Dessa forma eles são legalmente contemplados. Eu defendi isso", disse.

A fala do papa aparece na metade do filme quando ele estava comentando sobre vários temas com os quais se importa, como o ambiente, pobreza, migração, desigualdade racial e de renda e pessoas mais afetadas por discriminação.

O Papa coloca-se a favor da união civil, mas não do "casamento". A declaração feita no filme surpreende pela clareza e objetividade com a qual o Papa comentou o assunto, mas suas opiniões sobre esse tema já são conhecidas desde quando era cardeal na Argentina.

"Ele é contra o 'casamento gay' mas concorda que pessoas em união estável têm direitos. Isso não é novo. Mas declarou isso em documentário, como Francisco, pela primeira vez", afirma Filipe Domingues, vaticanista com doutorado pela Universidade Gregoriana de Roma.

O documentário

O documentário já foi exibido no Festival de Roma e deverá passar nos Estados Unidos pela primeira vez no domingo, 25. As gravações do filme foram encerradas em junho de 2020 e trata de temas como pandemia, racismo e abuso sexual, além de temas como a guerra da Síria e na Ucrânia. A produção conta a história de um homem Italiano, gay, pai de três filhos e morador de Roma. Ele relata sua história ao Papa e escreve uma carta pedindo para que seus filhos fossem enviados à paróquia, mas que ele tinha medo que as crianças fossem discriminadas. Em resposta, Francisco teria incentivou o homem a enviar os filhos à Igreja, mas nunca disse qual era a opinião dele sobre a família formada por pais gays e que, apesar de a doutrina da Igreja não ter se alterado, a forma de tratar o assunto avançou muito.

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