Certo ou duvidoso: Prefeito, onde foram parar os 18,6 milhões da Policlínica do Vila Três?
Obras já custaram R$ 4,8 milhões aos cofres públicos

Segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020. O prefeito de São Gonçalo, José Luiz Nanci (Cidadania?), e o então secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, assinam a liberação de R$ 18,6 milhões para "obras e custeio de equipamentos" da Policlínica do Vila Três, em São Gonçalo. As obras, iniciadas em 2011 (há nove anos!!!), e que ocupam uma antiga área de lazer do bairro, estão prontas há pelo menos sete anos, e, de acordo com documentos obtidos por O SÃO GONÇALO custaram R$ 4,8 milhões aos cofres públicos, em valores de 2011. Mas, até hoje nenhum gonçalense foi atendido na unidade de saúde. "Nossa prioridade hoje é entregar a Policlínica do Vila Três para a população...Vou conseguir entregar aos gonçalenses com diversos serviços de extrema importância", afirmou (mentiu?) o prefeito para a população no dia 3 de fevereiro de 2020.

Quarta-feira, 7 de outubro de 2020. Preso em julho, acusado de comandar um esquema de fraudes em licitações entre empresas e o poder público, o médico Edmar Santos não é mais o secretário estadual de Saúde. Ele foi solto após firmar um acordo de delação premiada, onde acusa empresários da área médica e gestores públicos de vários municípios do Estado de pagarem e receberem propinas em contratos na área de Saúde. Na tarde de ontem, O SÃO GONÇALO esteve no Vila Três, e a policlínica do bairro continua fechada, sem data para ser entregue à população. Ah, com o slogan 'Melhor o Certo do que o Duvidoso', o prefeito José Luiz Nanci tem percorrido vários bairros da cidade em campanha à reeleição, mas não explica onde gastou os R$ 18,6 milhões, e nem porque a Policlínica do Vila Três continua fechada.

No dia 19 de junho, a Prefeitura publicou no Diário Oficial do Município um edital de licitação para "contratação de empresa especializada para obras de engenharia para reforma e ampliação da Policlínica Vila III". O pregão foi marcado para o dia 22 de julho, mas até hoje, quase três meses depois, o hospital não foi entregue à população.

População sem atendimento - Em entrevista a OSG, em dezembro, o casal André Luiz da Costa Gamboa, 39, e Roziani Marinho dos Santos, 34, moradores do bairro Lagoinha, vibraram com a notícia de que poderiam receber atendimento médico na Policlínica do Vila Três. Eles revelaram dificuldade de conseguir atendimento de um neurologista pediatra para um dos quatro filhos, além de consultas com dentistas.

“Essa clínica está em obras há anos e seria muito bom se fosse entregue a população”, disse Roziani. O projeto da policlínica prevê o atendimento em 21 especialidades: oftalmologia, cardiologia, endocrinologia, reumatologia, neurologia, obstetrícia, clínico geral, pediatria, angiologia, nutrição, psicologia, fonoaudiologia, otorrinolaringologia, gastrologia, hematologia, endocrinologia pediátrica, dermatologia, alergista, reumatologia, cirurgia vascular e urologia. O espaço também abrigaria um laboratório de análises clínicas.