Bebê morre após injeção e pais acusam Hospital Getulinho de negligência

Mãe da criança diz que ela começou a ficar roxa após aplicação de remédio

Enviado Direto da Redação
Pequena Mirela Lourenço, de apenas 7 meses, morreu de forma suspeita no Getulinho, no Fonseca, em Niterói

Pequena Mirela Lourenço, de apenas 7 meses, morreu de forma suspeita no Getulinho, no Fonseca, em Niterói

Foto: Divulgação

Por Thalita Queiroz*


Uma bebê, de apenas 7 meses, morreu após dar entrada no Hospital Municipal Getúlio Vargas (Getulinho), no Fonseca, em Niterói, na manhã desta quarta (7), apresentando febre alta de 39 ºC e vômito. De acordo com a família, cerca de três horas depois de entrar na unidade, Mirela, filha de Taís Lourenço, 21 anos, e Lucas Gomes, 22, apresentou diversas manchas vermelhas pelo corpo após a aplicação de uma injeção que os responsáveis não sabem do que se tratava.


Vendo o corpo da filha ficando roxo, a mãe da criança chamou os enfermeiros e foi retirada do local imediatamente. Uma hora depois, os pais foram notificados da morte de Mirela. Desesperados, eles buscam respostas para entender o que aconteceu em tão pouco tempo dentro da enfermaria do hospital.


| Foto: Leonardo Ferraz


Segundo a mãe da bebê, Mirela começou a apresentar febre alta na noite de terça (6). Moradores do bairro Caramujo, os pais da pequena a levaram para o Getulinho em busca de ajuda, mas ao chegarem lá, a unidade só recomendou um antibiótico e a liberaram. De volta para casa, a pequena só piorou e retornou ao hospital nesta manhã, ainda com febre alta.


“Quando chegamos hoje mais cedo um médico nos acalmou e disse que estava tudo bem com ela. Minha filha não tem histórico de doença nenhuma, estava só com febre alta. Ela piorou depois que injetaram alguma coisa nela lá dentro”, relata a mãe já sem chão e muito nervosa.

 


“A gente quer entender como uma criança de 7 meses, sem histórico de problemas de saúde entra em um hospital e em poucos minutos morre. Ninguém no hospital quer explicar nada pra gente, cada hora falam que foi uma coisa. Já nos falaram que era bronquite, outra hora que foi leite no pulmão, a gente quer uma resposta”, se desespera a madrinha da criança, Isabel Lourenço.


No diagnóstico final, o hospital informou aos pais que a criança morreu de infecção inespecífica e choque séptico. Sem maiores informações e sem saber o que aplicaram na filha, os pais da pequena Mirela querem respostas.

| Foto: Leonardo Ferraz


Em nota, a direção do Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho (Getulinho) informou que "lamenta profundamente o ocorrido e informa que o caso será analisado pela Comissão de Óbitos. A família foi acolhida pelas equipes de psicologia, serviço social e médica, no sentido de prestar todas as informações e apoio.



A criança foi consultada na emergência da unidade na noite de terça-feira (06) com queixa de febre e realizou exames, como Raio X. Ela não apresentou febre durante o atendimento. Com os resultados normais, a criança foi liberada com medicações para uso em casa e orientação para retorno à unidade caso fosse necessário.



Como ela voltou a ter febre, a família retornou ao hospital nesta terça-feira (07) e foi prontamente atendida. Repetiu o Raio X, que novamente mostrou-se sem alterações, e realizou mais exames de laboratório, punção lombar e teste para Covid-19. Alguns deles ainda não têm o resultado definitivo. A conduta adotada pela equipe foi de colocar a criança em observação e hidratação.



A paciente apresentou prostração, e a equipe médica a atendeu prontamente, teve apoio do CTI, com toda a assistência. Infelizmente, no entanto, ela evolui mal e veio a óbito



O atendimento à paciente seguiu todos protocolos determinados pelo Ministério da Saúde.



Em relação a documentação, como o atendimento foi de emergência, não há prontuário e sim Boletim de Atendimento Médico, que será disponibilizado para família nesta quarta-feira. A direção está à disposição da família para esclarecimentos."


Histórico de negligência do Getulinho


Esta não é a primeira vez que um caso suspeito de negligência resulta na morte de uma criança na unidade do Getulinho. Em agosto desse ano a pequena Juliana Duarte, de seis meses, morreu sob os cuidados de profissionais do hospital após ter 37,5% do corpo queimado. Na ocasião, apenas uma funcionária foi afastada pela direção do hospital.


*Estagiária sob supervisão de Thiago Soares

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