Prefeito faz 'poupança' de R$ 6 milhões e deixa 4 mil crianças sem creche em SG

Medo de ser preso? 'Doutor Nanci' diz que só paga às creches se juiz mandar

Enviado Direto da Redação

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Seis milhões de reais (R$ 6 milhões)! Trinta mil notas de R$ 200 (a do lobo guará)! É esse o valor da 'poupança' acumulada nos cofres da Prefeitura de São Gonçalo desde abril (há seis meses), pelo prefeito José Luiz Nanci, com recursos do Governo Federal, através do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), enquanto mais de 4 mil crianças matriculadas em 33 creches comunitárias da cidade, as 'donas' desse dinheiro, continuam sendo atendidas graças (e de graça, sem salários) ao trabalho de suas 'tias'e 'tios' (professores e auxiliares).

"Veja bem. Como a gente vai pagar uma coisa que não houve um serviço. Se a gente pagar o Tribunal de Contas vai nos multar... Posso até ser cassado... Tenho orientado para que vocês entrem na Justiça. O juiz obrigando, a gente a pagar, a gente paga", justificou o Doutor Nanci, em áudio divulgado pelo SBT. Como São Gonçalo não tem uma rede de creches municipais, de acordo com números do próprio município, cerca de 20 mil crianças em idade maternal estão sem onde ficar para que suas mães possam trabalhar.

O SÃO GONÇALO já mostrou na reportagem publicada em julho (Prefeito José Luiz Nanci é condenado pelo TRF por má gestão de recursos federais para conter epidemias) que essa não é a primeira vez que o prefeito é acusado de má administração de recursos federais durante pandemias.

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De acordo com o advogado Gustavo Marins, 32, que representa cinco das 33 creches comunitárias em ações que cobram o cumprimento dos pagamentos dos valores estipulados nos contratos assinados entre o município e as instituições, os serviços continuam sendo prestados, inclusive com custos adicionais, em função de peculiaridades.

"Ajuizamos uma ação na 4ª Vara Cível de São Gonçalo solicitando o pagamento de parcelas do contrato/convênio do município vencidas desde abril e as que ainda vão vencer. O prefeito, através da Procuradoria do Município, tinha um prazo de cinco dias para se manifestar, mas não o fez, e agora o Ministério Público vai opinar", informou o advogado.

A pedagoga Cláudia Araújo, 55, que há 16 anos administra a Creche Comunitária Amanhecer, no Colubandê, que contribui com a educação de 110 crianças, é uma das educadoras que têm enfrentado dificuldades para continuar o trabalho nos bairros do Anaia, Colubandê, Capote, Água Mineral, Coelho, Jóquei, Rio do Ouro e adjacências.

"O prefeito não tem demonstrado interesse em resolver a situação das crianças. Temos demonstrado, mês a mês, que estamos atendendo não só crianças da educação infantil, mas também os seus pais. Como muitos não têm internet em casa, estamos tendo A custos com impressão dos exercícios que entregamos em casa para as crianças. Todos os nossos professores e auxiliares trabalham com carteira assinada. Eles continuam trabalhando mesmo sem receber, já que não temos como pagar sem receber o repasse da Prefeitura", desabafa Cláudia.

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