"Meu irmão era generoso desde criança", contou a irmã do pintor que morreu após cair de uma altura de 9 metros no Rocha
O pintor morreu enquanto trabalhava na última quinta-feira (10)

Por Ana Carolina Moraes*
"Meu irmão era uma pessoa que ajudava todo mundo. Sempre que alguém pedia ajuda, ele atendia. Ele era generoso desde criança.Antes de sair de casa para trabalhar, o meu irmão disse a minha mãe que a amava. Ela falou que se soubesse que aquela seria a última vez, tinha amarrado ele no pé da cama e não teria deixado que ele saísse de casa", essas palavras emocionadas foram ditas pela administradora Tatiane Pacheco, de 31 anos. Ela é irmã do pintor e ex-jogador de futebol Antônio Marcos Vinicius Pitão Pacheco, de 40 anos, que morreu após cair de uma altura de 9 metros enquanto realizava um serviço de pintura no bairro do Rocha, em São Gonçalo, na última quinta-feira (10).
Marcos Vinicius é o filho mais velho de Rita de Cassia Pitao Pacheco Lima, de 58 anos, que está em estado de choque. "Minha mãe era solteira e tinha 17 anos quando engravidou dele. Ainda por cima, ela tinha um pai militar. Então, ela lutou muito para conseguir criar e cuidar do meu irmão. Hoje, ela está arrasada. Eles se amavam muito", contou Tatiane.

Desde criança, Antônio Marcos gostava muito de ajudar os outros. Sempre divertido e brincalhão, ele começou a trabalhar num parque no município de São Gonçalo ainda bem novo, antes dos seus 14 anos, para ajudar em casa. Logo depois, ele se tornou jogador de futebol.
"Ele jogava muito bem. Ele começou a jogar futebol com 14 anos. Atuou no Vasco, no Cabofriense, chegou até mesmo a ganhar pela Série B com o Internacional, além de atuar em outros times. Acho que ele jogou até os 22 anos", contou a irmã do pintor.
Logo depois disso, Antônio Marcos começou a trabalhar em um estaleiro e se apaixonou por sua primeira esposa. "Ele conheceu a mãe do meu sobrinho que hoje tem 13 anos. Eles se apaixonaram e casaram, mas ela veio a falecer um ano depois do nascimento do meu sobrinho. Mas eles namoraram por anos e anos antes de casarem", contou Tatiane.
Depois disso, Marcos se focou em sua vida profissional e trabalhou em algumas outras coisas menores para conseguir sustentar seu filho e apoiar sua família. Até que, há cerca de alguns anos ele conheceu sua segunda companheira, que hoje é mãe da filha dele de 4 anos. "Ela veio de Manaus para ficar com o meu irmão", disse Tatiane. Os dois se apaixonaram e estavam juntos até hoje. Com sua morte, Marcos deixou dois filhos e uma companheira, além de mães e irmãos. Mas, ele sempre estará vivo na memória destas por causa de sua bondade.
"Meu irmão começou a pintar há uns 5 anos. Ele começou ajudando um pintor amigo dele e depois desenvolveu gosto e fazia trabalhos pela região. Todo mundo gostava dele. Meu irmão ajudava sempre que podia. Recentemente, por exemplo, ele estava ajudando minha mãe, que está de mudança, e carregava as coisas dela nos próprios braços", contou a irmã de Antônio Marcos emocionada.
Tatiane também lembrou como recebeu a notícia do falecimento do irmão. "Eu estava em Cabo Frio ontem (10) e minha tia me ligou perguntando se meu irmão estava trabalhando de pintor. Ela já sabia que um pintor tinha falecido, mas não sabia que era o meu irmão. Eu não sabia se ele estava trabalhando e ela me perguntou com qual roupa ele estava. Liguei para o meu sobrinho para perguntar e ele disse que também não sabia. Depois, eu vi fotos e vi o macacão coral que meu irmão adorava usar para pintar. Foi aí que eu reconheci que foi ele quem morreu. Fiquei desolada. Na mesma hora vim ficar perto da minha mãe e da minha família. Estamos todos arrasados", relembrou.
A família ainda não informou o horário de sepultamento.
O caso foi registrado na 72ª DP (Mutuá).
Relembrando - Antônio Marcos faleceu na última quinta-feira (10), após cair de cair de uma altura de 9 metros, quando realizava um serviço de pintura em um imóvel na Rua Salvador Palmier, no Rocha, em São Gonçalo. Quando a polícia chegou ao local, o corpo de Antônio Marcos já estava sem vida.
Nas redes sociais, os familiares e amigos do Rocha lamentaram a morte do gonçalense que tinha orgulho de viver e de seu trabalho.
Confira a matéria anterior sobre o caso clicando aqui.
*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas