Lives "Terça na Hospedaria" contarão a história da imigração em SG
A live é organizada por professores e alunos que fazem parte da FFP da Uerj

Por Ana Carolina Moraes*
Para aquele gonçalense que gosta de história e que quer aprender um pouco mais sobre a imigração no município de São Gonçalo, a partir desta terça-feira (08) terá início o projeto conhecido como "Terças na Hospedaria", no instagram @cmiif.uerj. O objetivo desse conjunto de lives, que ocorrerá toda as terças (exceto o dia 22/09) até o dia 06 de outubro, é fazer com que o gonçalense entenda mais sobre o município e sobre as hospedarias da região, locais que recebiam imigrantes desde a época da Segunda Guerra Mundial, e como isso influenciou a cultura local.
Os organizadores da live são Luís Reznik e Rui Fernandes, dois professores da Faculdade de Formação de Professores (FFP) da Uerj e coordenadores de um grupo de pesquisa que visa estudar a influência da imigração na Ilha das Flores.
"Esse conjunto de lives é uma iniciativa do Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores, que é um grupo de pesquisas da UERJ FFP. Nós temos, nesse grupo de pesquisa, esse trabalho sobre as hospedarias, e a partir disso criamos o Museu da Imigração da Ilha das Flores, junto com a Marinha e com os Fuzileiros Navais. Antes da pandemia, nós queríamos publicizar essas pesquisas em seminários acadêmicos e colocar os textos em nossa página, mas, com a pandemia, resolvemos criar as lives para debater esses trabalhos e ter uma maior interação com a população em geral", contou Rui Aniceto Nascimento Fernandes, de 40 anos, que é o professor das disciplinas de "História Fluminense e "Ensino de História" na FFP.
As lives que ocorrerão até o dia 6 de outubro são apenas o primeiro conjunto de apresentações ao vivo pela internet que o grupo de pesquisa em questão pretende fazer. Na primeira live, será abordado o tema de como analisar as fotografias e a hospedaria de imigrantes na Ilha das Flores após a Segunda Guerra. Já a segunda live falará do tema da saúde e das epidemias com a imigração que ocorreram no século XIX e início do século XX. A terceira live falará sobre Arthur Hehl, que foi um agente importante quando se fala em políticas imigratórias brasileiras após a Segunda Guerra, ele também fez parte do Conselho Nacional de Imigração. Já a quarta e última live deste ciclo falará sobre como os refugiados de Guerra foram representados nos jornais da década de 40 e 50. Todo esse primeiro bloco de lives será apresentado por estudantes de graduação, mestrado e doutorado que fazem parte do grupo de pesquisa do Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores (para conferir o nome dos envolvidos, segue a imagem em anexo com o detalhamento das lives).
Além desse primeiro bloco de lives, haverá ainda um segundo e um terceiro bloco com alguns temas diferentes a serem abordados e discutidos. Apesar de ainda não terem sua data marcada, eles seguirão na ordem, ou seja, após o fim do primeiro bloco terá início o segundo e assim sucessivamente. O segundo bloco de lives falará sobre o livro "História da Imigração no Brasil", que fala sobre as primeiras experiências de imigração após o século XIX. O livro em questão ainda não foi publicado, mas foi desenvolvido pelo grupo de pesquisa em questão em conjunto com outros pesquisadores do tema. Já o terceiro ciclo de lives, falará sobre as hospedarias na América e a ideia é conversa com pesquisadores das hospedarias de Buenos Aires, do Canadá, dos Estados Unidos e etc.
Rui acredita que discutir esse passado é importante para entender o presente e o futuro. "A universidade tem como um de seus pilares a divulgação e a produção científica, mas a universidade também tem um papel extensionista, da universidade com a comunidade. A produção científica tem um papel social. Uma discussão sobre imigração no passado faz com que possamos ver esse processos hoje. No período antes da pandemia, tínhamos uma pressão de povos do Oriente Médio na Europa e em outros espaços, além disso, tínhamos também a questão dos imigrantes da Venezuela no Brasil. Pensar as imigrações no passado nos permite pensar como a sociedade e o governo vem lidando com essa diversidade de povos e culturas hoje. Divulgar nossa produção é suscitar uma reflexão sobre os processos migratórios nos tempos de ontem e de hoje", explicou Rui que atua há mais de 10 anos na FFP.
Para quem quiser assistir o primeiro conjunto de lives das "Terças nas Hospedarias", basta acessar o Instagram @cmiif.uerj todas às terças (exceto o dia 22/09) até o dia 06/10, a partir das 17h. Para saber mais sobre o projeto, siga a página citada anteriormente no Instagram.
*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas