Coletivo de Itaboraí denuncia que Prefeitura não cumpriu com o acordo com o grupo
Fundador do Coletivo afirma que recebeu poucos recursos da prefeitura
Cinco meses após a Prefeitura de Itaboraí e o Coletivo Ponte Cultural terem firmado um acordo que garantiria verbas para dar início a novas políticas públicas culturais no município, nada foi visto na prática. É isso o que denuncia o produtor cultural Marcos Moura, de 42 anos, diretor-fundador do Coletivo Ponte Cultural, que resolveu expor a situação de descaso por parte da Prefeitura de Itaboraí. Isso porque em fevereiro deste ano, o Ponte Cultural se reuniu com prefeito Dr. Sadinoel Souza, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Turismo do município, para debater sobre novas ações em uma parceria conjunta das duas organizações visando a cultura do município, no entanto, segundo Marcos, nada do que foi combinado foi cumprido por parte da prefeitura até os dias atuais.
Marcos explica que, primeiramente, foi pedido à Prefeitura uma de lista de materiais para o Ponte Cultural. O Coletivo existe há mais de quatro anos e incentiva a cultura no município, por isso, a prefeitura resolveu investir em ações para atrair ainda mais interessados na arte em Itaboraí. Mas, segundo Marcos, nada foi investido no coletivo por parte do governo público local.
"Tivemos a reunião com o Prefeito na qual firmamos a parceria. Ele perguntou o que precisávamos para tocar o projeto Coletivo Ponte Cultural e, inclusive, demos uma lista com poucos materiais que eles nem precisariam comprar, pois são coisas que já existem para uma Prefeitura. Mas, o que eles nos entregaram foi humilhante. Pedimos, por exemplo, computadores, impressoras, caixa de som, caixas de lápis, caneta e borracha, no entanto, recebemos 9 lápis, 7 canetas, 5 pilotos, 20 borrachas, 2 frescos de cola branca, 2 resmas de papel A4, 20 tatames, 30 bambolês, 6 carteiras e 6 unidades de canetas. É de uma humilhação muito grande! Ele ainda afirmou que precisávamos de uma sede maior na reunião, mas ainda bem que não entregamos a nossa, pois eles nunca nos deram outra como prometido", afirmou Marcos.
O fundador do Coletivo Ponte Cultural ainda ressaltou que não há políticas públicas de cultura no governo atual de Itaboraí.
"Fora isso não houve política pública nenhuma nessa gestão do governo. Sugerimos projetos, afirmamos que ajudaríamos com ideias e nem isso eles nos ouviram.Nem mesmo um mapeamento artístico da cidade a prefeitura tinha. Foi aberto recentemente por conta da Lei Aldir Blanc. A coleta de dados é fundamental para elaboração de políticas públicas em qualquer setor. Não é falta de dinheiro, é falta de gestão mesmo, pois este mandato se iniciou com R$ 2.576.000,00, para reforma e na reabertura do Teatro Municipal e nada foi feito. A cidade continua sem teatro. É uma cidade que não valoriza a cultura, a prova é que não existe o Sistema Municipal de Cultura com políticas públicas para a região. A arte não é só entretenimento, é para salvar vidas. Fomos usados, pois eles afirmaram que ia ser feito algo, mas nada ocorreu!", afirmou
O Coletivo Ponte Cultural é o responsável por oferecer cursos de teatro, cinema e tv, desenho realista, danças urbanas, teclado, violão, piano e o pré-vestibular comunitário para mais de 200 alunos em Itaboraí. O coletivo organiza a produção de curtas metragens, clipes, Saraus e Cine Clubes em São Gonçalo e em Itaboraí. O sede do Coletivo Ponte Cultural se localiza na Avenida Afonso Sales, 206, Apolo II, Itaboraí.
Para conhecer mais sobre o coletivo clique no link a seguir: Coletivo Ponte Cultural completa quatro anos de existência
Procurada a Prefeitura de Itaboraí informou que sobre a questão dos materiais, tal ação está sendo executada pelo gabinete do secretário municipal de Educação e o gabinete do prefeito. Devido a pandemia a ação não pôde ser iniciada, mas após a flexibilização o andamento da ação está sendo retomado e os materiais começaram a ser distribuídos de acordo com as doações recebidas.
Sobre o Teatro Municipal João Caetano, em janeiro deste ano a primeira licitação deu deserta. Mas uma segunda foi realizada em março e as obras iniciaram-se em julho de 2020 e tem prazo para ser finalizada em março de 2021. Importante destacar que todo o projeto teve que ser refeito por falta de um projeto sólido, motivo pelo qual as obras foram paralisadas pela Caixa Econômica Federal em 2015.
Foi iniciado o processo administrativo em 26 de junho de 2018 para análise e parecer da Procuradoria, Fazenda e Planejamento sobre o texto do Projeto de Lei. Em fevereiro de 2020 o Plano de Cultura foi revisado e atualizado com o Fórum de Cultura de Itaboraí. O projeto foi analisado pelo Ministério Público, Iphan e Inepac e está em concordância com a Lei do Sistema Estadual e Nacional de Cultura. Enviado para a Câmara Municipal, por meio do Poder Executivo, o Projeto de Lei é de n° 52/2020.
*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas