Militares voltam a denunciar falta de protocolos contra a Covid-19 da Marinha
Marinheiros temem proliferação da Covid-19 no CIAA

Militares da Marinha do Brasil, que dão serviço atualmente no Centro de Instrução Almirante Alexandrino (CIAA), na Penha, zona norte do Rio, voltaram a denunciar os procedimentos adotados contra a Covid-19 - ou a falta deles - pela Força Militar no retorno às atividades. As primeiras críticas foram publicadas por O São Gonçalo, no último dia 28.
Insatisfeitos com o posicionamento da Marinha em relação às denúncias, mais militares procuraram o jornal O São Gonçalo para dar mais detalhes sobre a situação.
Num dos relatos, um militar alega que os trabalhadores são obrigados a utilizarem alojamentos apertados, que pelo seu tamanho, impossibilitam qualquer tipo de distanciamento social, que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma das medidas mais importantes contra a proliferação do vírus da Covid-19.

Ainda nesta denúncia, o militar afirma que várias pessoas já foram diagnosticadas com o vírus.
"Diversos casos de COVID-19 já foram registrados em componentes da organização militar. Devido a atual situação que se encontra, a probabilidade é o aumento significativo de casos, pondo em risco a vida dos militares e seus familiares, somente com o intuito de celebrar uma formatura para o contento de nosso Presidente e demais autoridades".
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Sobre a formatura, que segundo denúncia inicial é um dos fatores que mais causam aglomeração, já que diversas turmas precisam ensaiar, juntas, em um espaço limitado para o evento - o que foi negado pela Marinha, continua ser o ponto central das reclamações.
Em outra denúncia, um militar apresenta um documento com o quadro de horários dos ensaios que mostra que existem turmas que precisaram utilizar o campo para ensaio no mesmo dia, contrariando o que a Marinha afirmou na última sexta-feira.

"Todos os alunos estavam treinando juntamente para formatura, diferente de como foi dito na resposta da Marinha, que são em dias alternados. Estão submetendo a gente, todos os dias, a riscos elevadíssimos e diversos militares já contraíram a COVID-19 desde a volta", afirmou o militar.
Para entendimento, segundo os militares, "Alunos de Curta e Longa do C-Esp-HabSG/AP" abrange todos os alunos aptos para formatura próxima, o que em números é algo que se aproxima de 2,2 mil pessoas.
Além das reclamações sobre alojamento e treinamento, há denúncias também no momento de ir para casa. O motivo? A obrigatoriedade dos militares em se formar para inspeção de saída. Neste momento, os trabalhadores passam por avaliação para saber se estão de fato liberados, o que causa enorme fila, como é possível ver na foto abaixo.

Em nota, a Marinha afirmou que "o Centro de Instrução Almirante Alexandrino (CIAA) realizou um planejamento minucioso para a condução de suas atividades de ensino. Por ocasião do regresso dos alunos, estão sendo adotadas uma série de medidas sanitárias e de saúde, além de procedimentos de desinfecção, higienização, aferição de temperatura, triagem, testagem, sendo observadas, ainda, medidas de distanciamento social e todos os protocolos clínicos e terapêuticos divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a fim de preservar a saúde de todos os seus integrantes.
Além disso, destaca-se, ainda, que, de acordo com o Decreto nº 10.282/2020, que dispõe sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente do coronavírus, as Forças Armadas prestam serviços essenciais e têm o dever de manter em funcionamento suas atividades.
Nesse contexto, a Marinha do Brasil vem realizando, em apoio aos Governos Federal, Estaduais e Municipais, diversas ações para o enfrentamento à COVID-19, que podem ser constatadas pelo sítio da MB na Internet (https://www.marinha.mil.br/combate-ao-covid19/acoes-realizadas).
Assim, observando o planejamento realizado pelo CIAA, os treinamentos para a Cerimônia de Encerramento do Curso Especial de Habilitação a Sargento (C-Esp-HabSG) estão sendo conduzidos de forma a atender as medidas de distanciamento e proteção dos militares.
Com serenidade e firmeza, o CIAA proporciona um ambiente de trabalho seguro ao seu pessoal, civil e militar, condição fundamental para que possa continuar a cumprir sua missão, sem interrupção, contribuindo para a manutenção da capacidade operacional da Marinha do Brasil e o seu emprego imediato em missões nacionais e internacionais, tais como as empregadas pelo enfrentamento da COVID-19."