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Mais de 90 mil alunos da rede pública em SG foram impactados com a pandemia

Cenário atual é de ameaça de greve e possível retorno das aulas presenciais

relogio min de leitura | Redação 30 de agosto de 2020 - 12:51
Cerca de 225 unidades de ensino, municipais e estaduais, tentaram implementar o ensino à distância
Cerca de 225 unidades de ensino, municipais e estaduais, tentaram implementar o ensino à distância -

Alunos da Rede Pública de ensino em São Gonçalo alcançaram a marca de 166 dias sem aulas presenciais, na última sexta (28). Um número inimaginável há cinco meses atrás, quando o país começou a registrar as primeiras vítimas da Covid-19. A realidade da pandemia se instalou em todos os cantos do Brasil e a situação não foi diferente na segunda cidade mais populosa do estado do Rio de Janeiro. São Gonçalo, com seus 47 mil alunos matriculados na Rede Municipal e com 45 mil matriculados na Rede Estadual, ainda tenta se adaptar a uma realidade tecnológica que não condiz com a estrutura social da cidade.

São 150 unidades sob o gerenciamento do município e outras 75 unidades sob a responsabilidade do Estado. Sem contar com as mais de 200 escolas particulares cadastradas na região. Ambas enfrentaram o desafio de implementar uma educação a distância usando recursos, até então desconhecidos por professores e alunos.

Plataformas como Google Meet, Google Classroom, Zoom e plataformas específicas do governo como o Seeduc-RJ, foram apresentados nesses últimos meses. Também foram autorizadas videoaulas, grupos de Whatsapp e atividades autorreguladas. Isso, como medida para evitar que o ano letivo de 2020 fosse perdido. A Secretaria Estadual de Educação (SEEDUC) informou que alunos e responsáveis têm diariamente, em dois horários, videoaulas em alguns canais de TV aberta, além de terem à disposição linhas telefônicas, por meio da Ouvidoria da Seeduc, para tirar dúvidas.

Uma aluna do Instituto de Educação Clélia Nanci, no bairro de Brasilândia, em São Gonçalo, que preferiu não se identificar, contou sua experiência com as aulas à distância. Segundo ela, o início foi bastante conturbado, com professores sem saber exatamente como agir, mas, ao definirem uma plataforma de comunicação  - o Google Classroom - as atividades complementares começaram a fluir dentro do possível.

“Os professores passam as atividades por lá e nós fazemos. Funciona mas não é tão eficiente como ter aulas presenciais”, diz a jovem que cursa o 3º ano do ensino médio e contava com uma preparação melhor para o ENEM 2020.

Um outra estudante, matriculada no Colégio Estadual Vital Brasil, no bairro de Tribobó, relatou que chegou a receber esse material didático impresso, mas a escola alegou ser apenas um material de apoio. Sobre as atividades nas plataformas, a jovem declarou: “Às vezes é um pouco complicado, como eu estou sem computador acaba sendo um pouco difícil o acesso”.

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E é por esse motivo que o SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro), insiste em reforçar o pedido para que as atividades passadas pelos professores não sejam avaliativas. Para eles, é preciso que o ano letivo 2020 seja unificado com 2021, assim como a garantia da matrícula dos estudantes.

A coordenadora do SEPE-SG, Maria do Nascimento, e a unidade do sindicato no Rio ressaltaram que este método de ensino é excludente. “Desde o início da pandemia, o SEPE apontou o quanto este modelo de ensino remoto adotado na rede era excludente e ineficaz, pois ignorava por completo a realidade social dos estudantes. O passar do tempo demonstrou que esta análise estava correta e partia não de uma crítica vazia do sindicato, mas de conhecimento de causa sobre as condições vividas pelos nossos jovens. Defendemos que a plataforma Google Classroom não pode ter caráter obrigatório, devendo servir apenas como manutenção de vínculo, de caráter complementar e que não contem como dia letivo”, disse o sindicato.

Já o otimismo da SEEDUC-RJ em relação à eficácia do método se baseia em pesquisas de controle. A secretaria informou que 85% dos alunos gonçalenses estão frequentando ou fazendo as atividades de forma remota.

Retorno das escolas particulares e privadas

Após muitos prazos de retorno às aulas prorrogadas pelo governo do Rio, duas datas podem marcar a volta das aulas presenciais. Segundo o último decreto, as escolas particulares poderão retornar com as atividades a partir do dia 14 de setembro. Já a Rede de Ensino Público tem o retorno previsto para o dia 5 de outubro.

Segundo o secretário de Educação Pedro Fernandes, no primeiro momento só será permitida a retomada de um terço dos alunos. Além disso, ficou determinado que os estabelecimentos de ensino só serão autorizados a reabrir caso estejam em regiões consideradas de baixo risco de transmissão da Covid-19, que é o caso da cidade de São Gonçalo.

Em termos práticos, todas as unidades de ensino deverão planejar as atividades pedagógicas para assegurar a oferta de 800 horas letivas, por meio de atividades não presenciais. E, no caso dos alunos menores de 12 anos, as atividades não presenciais deverão ser intermediadas pelos responsáveis. 

De acordo com a Educação do município, essas atividades não presenciais deverão ser registradas e comprovadas para serem computadas como carga horária letiva em cumprimento das 800 horas anuais. Na mesma portaria, há um anexo no qual os professores irão anotar o que foi dado e quais atividades foram realizadas, e, anexar esses dados no diário. 

Greve pela Vida

A publicação no Diário Oficial deixou pais, alunos e sindicatos preocupados com a decisão. O SEPE, por exemplo, iniciou o movimento intitulado como “Greve pela vida”. Em uma assembléia virtual, realizada no último dia 1º de agosto, ficou determinado que os profissionais da área entrarão em greve à medida que forem convocados para o retorno das atividades escolares presenciais nas escolas.

Greve pode chegar na Rede Privada de Ensino

Com aulas EAD desde as primeiras semanas de pandemia, as escolas particulares também podem sofrer retaliação por parte dos profissionais de educação. Em uma matéria realizada por OSG, no dia 19 de agosto, foi apontado uma crise entre professores e o Sindicato dos Professores de Niterói e São Gonçalo (SINPRO).

Segundo denúncia realizada por um grupo de professores, algumas escolas já estão solicitando a presença física do professor na unidade para dar aula online. “Era o que fazíamos em casa, em segurança. Aí tentamos denunciar a prática dessas escolas e não temos um órgão que acolha essa denúncia e muitas outras de práticas abusivas que estão ocorrendo", disse um dos professores que denunciou o caso. Leia a matéria completa aqui.

Enquanto debates continuam a surgir em torno do ano letivo 2020, muitas perguntas sem respostas não param de surgir. Uma delas é o questionamento do protocolo de sanitização das escolas, que precisa ser definido pela Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) após a divulgação das medias impostas pela área da Saúde.

São esses protocolos que vão determinar a presença de menos alunos dentro das salas de aula; o uso obrigatório de máscara; o distanciamento social; a rediscussão da distribuição da merenda escolar (de que forma vai ser feita); o funcionamento das cantinas; e o controle sorológico dos professores e dos alunos.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Soares

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