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Na flexibilização da economia, criatividade e trabalho: palavras de ordem em SG

No recomeço, após cinco meses sem atividades, por conta do isolamento social: comerciantes recorrem se reinventam na cidade

relogio min de leitura | Redação 27 de agosto de 2020 - 19:36
Luiz Gustavo Moreira. criatividade no curso Virtuz, sem esquecer o social
Luiz Gustavo Moreira. criatividade no curso Virtuz, sem esquecer o social -

Muito além de provocar mais de 106 mil mortes no Brasil, e infectar mais de 2 milhões de pessoas, o novo coronavírus também 'devastou' a economia. E a paralisação das atividades, em diferentes setores, por causa das medidas de isolamento social para conter a pandemia, virou sinônimo de crise e desemprego. Criatividade e muito trabalho tem sido a palavra de ordem entre comerciantes e empresários em São Gonçalo, uma cidade com mais de dois mil pontos, entre lojas shoppings, supermercados, imobiliárias e bancos, entre outros segmentos, segundo estimativas da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Gonçalo.

Em crescente desenvolvimento econômico, a partir do início do século 20, São Gonçalo, uma das maiores cidades brasileiras, com população de 1,2 milhão de habitantes, se tornou uma espécie de 'gigante adormecido' em decorrência da pandemia, a exemplo de outros grandes municípios do brasil e do mundo. Segundo dados do Instituto Brasileiro se Geografia e Estatística (IBGE), coletados no Censo Nacional de 2010, os setores da indústria e do comércio, somadas as áreas de transporte e da construção civil, seriam responsáveis por gerar empregos diretos para mais de 30% da população local - a maior parte dos moradores ainda buscam atividades remuneradas em outras cidades, principalmente o Rio de Janeiro, a capital do estado.       

E o recomeço, após o início da adoção das rígidas normas de isolamento social, com o fechamento do comércio e a interrupção de outras atividades, não tem sido fácil. Aberta em maio do ano passado, os dirigentes do Curso Virtuz, na clínica escola situada no Alcântara, recorreram à criatividade. Os cento e trinta alunos inscritos em cursos variados  passaram a receber aulas virtuais. E na flexibilização da economia, a partir de agosto, várias medidas foram adotadas para revitalizar as atividades. Além da realização de campanhas nas redes virtuais, a equipe do Virtuz iniciou um programa de visitas em diferentes bairros, em que são oferecidas vagas com preços diferenciados e a descontos que podem chegar a 100%, como forma também de promoção de inclusão social. 

Criatividade - Além da manutenção da parte didática, com cursos de informática, Cuidador de Idosos, Gestão Empresarial e Inglês, e outros atendimentos na área de beleza,como aplicação de Tranças, limpeza de pele, designer de sombrancelhas e cílios e depilação, a direção do Virtuz abriu uma parceria com o Banco BMG e também está fazendo empréstimos consignados. "Temos uma proposta não apenas voltada para a formação especializada, mas também uma função social, que visa a inclusão social e a ajuda ao próximo, com distribuição de refeições na cidade", afirmou o gerente administrativo do curso, Luiz Gustavo Moreira. O Virtus fornece informações sobre as atividades todas as atividades pelo telefone 974072075 ou 2601-3877 ou pelo Instragam @sejavirtuz.    

Construção Civil - Se na construção civil, acordos entre empresas, sindicados e governantes garantiu a manutenção de 2 milhões de empregos de carteira assinada em todo o pais, entre pequenas empresas do ramo, foi preciso buscar alternativas. Como foi o caso da microempreendedora Josiane Codeço, que trabalha com esquadrias de alumínios, vidros temperados e reforma em residência, No mercado há cinco anos e mantendo uma loja na Rua Vicente de Lima Cleto, em Nova Cidade, ela se viu obrigada a cancelar os contratos de toda sua equipe a partir de abril, quando a pandemia jogou os negócios a zero. 

"Pensei até em entregar a minha loja porque os custos ficaram muito altos. Aí passei então a tentar trabalhar com free lancer, onde fecharia a obra, pagaria a diária, e executava o serviço, mas sem demandas, não recebia nada, pois não tinha condições de pagar a ninguém. A pandemia deu um susto em todos. Cheguei a pensar em arriar as portas e a mudar de ramo", relembrou. 

Segundo Josiane, com a flexibilização da economia permitida pelas autoridades, a partir desse mês de agosto, já está sendo possível manter uma pessoa para ajudá-la a no recomeço. "As coisas estão começando a melhorar. Eu amo atuar nessa atividade", disse ela, que trabalha com instalação de esquadrias de alumínio, portões vidros temperados, portas e janelas", entre outros serviços.                        

Rota São Gonçalo  - A Internet foi a melhor saída para quem conseguiu se manter em atividade, como os bares e restaurantes que integram a Rota São Gonçalo, um setor organizado do município que congrega 22 estabelecimentos, que antes da pandemia, gerava cerca de 250 empregos, número que caiu pela metade, com a adoção das normas de isolamento social. O serviço de entrega a domicílio, dentro do sistema conhecido como delivery, ajudou a manter as atividades, mas para se equilibrar financeiramente, os lojistas tiveram que fazer cortes da ordem de até 60% dos funcionários. Um dos dirigentes da Rota São Gonçalo e sócio da Cervejaria Dois Lados, Pablo Damarcio, diz que o advento da pandemia fez com que as empresas ligadas ao comércio tivessem que se reinventar, criando, inclusive novos cardápios, e até o sistema de entregas á domicílio, para se adequar à nova realidade.  

"Tem empresa que tinha trinta funcionários e hoje está trabalhando com apenas sete, devido ao número baixo de procura e de clientes. Segundo Pablo, a forma mais segura de se conviver com o 'novo normal' tem sido trabalhar de forma a transmitir segurança á clientela, dentro das normas estabelecidas pelas autoridades da área de saúde, como o oferecimento de Álcool em Gel , obrigatoriedade do uso de máscaras,  tanto para consumidores como para funcionários, e o distanciamento entre as mesas. 

Pablo diz que o que mais deixou os empresários desanimados no setor foi a baixa preocupação e apoio do poder público local, ao contrário do que aconteceu em cidades vizinhas, como Maricá e Niterói, que abriram formas de auxilio ao setor. "Em São Gonçalo, não tivemos qualquer ajuda. Os empresários tiveram que dar conta de seus negócios e sobreviver na crise sem qualquer isenção de impostos ou qualquer ajuda financeira", disse Pablo. Segundo ele, pelo menos duas empresas ligadas à Rota 40 fecharam as portas durante a pandemia. Damarcio também revela que um dos maiores problemas enfrentado pelos lojistas constituídos é a proliferação de comércios clandestinos, que acabam gerando uma concorrência desleal.              

Baixa procura - A pandemia serviu também para frear as atividades e um circuito muito tradicional na cidade: o de motéis. Considerado um dos mais tradicionais, o Paloma, no Laranjal, viu cair pela metade o número de clientes que habitualmente costuma frequentar o local, que tem 50 suítes. O empresário Manuel Ramos Castro, o Manolo, um dos sócios do Paloma, acredita que o pagamento do auxílio emergencial à população está servindo para minimizar a situação vivida no país, uma vez que indiretamente, dá poder aquisitivo para movimentar o mercado. "Mas precisaremos pensar no futuro, pois quando o auxílio deixar de ser pago, a situação poderá piorar. Dessa forma, será preciso se adequar, e as demissões serão inevitáveis", declarou. Para quem que informações sobre o trabalho do Rota São Gonçalo: Facebook/rotasaogoncalo

Instagram: @rotasaogoncalo

Campanha - Dentro das novas normas de flexibilização da economia, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Gonçalo está fazendo uma campanha para valorizar o comércio local, através do site oficial - cdlsaogoncalo.com.br - como forma de estimular os consumidores a priorizarem as compras no município, e assim, colaborarem para a manutenção das atividades, e a consequente geração de renda e de empregos em São Gonçalo.  

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