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Número de negros assassinados no país aumenta ao longo da década enquanto o de não negros diminui

A cada não negro morto em 2018 foram mortos 2,7 negros no país

relogio min de leitura | Redação 27 de agosto de 2020 - 17:06
Número de assassinatos contra negros apresentou queda somente em 2018
Número de assassinatos contra negros apresentou queda somente em 2018 -

Ao longo da última década, os assassinatos contra pessoas negras cresceram, mesmo período em que homicídios contra não negros diminuíram. Segundo os dados do Atlas da Violência, estudo coordenado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de mortes de negros cresceu 11,5%, chegando a 37,8 por 100 mil habitantes, e a de não negros caiu 12,9%, com uma taxa de 13,9.

A análise é feita com base nos dados do Ministério da Saúde em todos os estados com o objetivo de entender o perfil das vítimas de mortes violentas no Brasil.

Em 2008, o número de negros assassinados no país foi de 32,7 mil, número que cresceu continuamente até 2017. O número apresentou queda somente em 2018, último ano avaliado. Apesar da redução, o número de vítimas de 2018 ainda é 34% maior do que o número de 2008. 

No que abrange os não negros, o que inclui brancos, amarelos e indígenas, é notado o inverso. Em 2008, 15 mil dessas pessoas foram assassinadas. O número permaneceu estável até 2017 e sofreu queda em 2018, quando foram registrados 12,7 mil homicídios, o que representa uma redução de 15,4%

"As políticas têm sido minimamente capazes de proteger a vida de não negros, mas a disparidade é tamanha com os dados de vítimas negras que é como se estivéssemos falando de países diferentes", disse a diretora executiva do Fórum, Samira Bueno.

Comparando, a cada não negro morto em 2018, foram mortos quase três pessoas negras (2,7) no Brasil. Analisando os números de alguns estados, a disparidade é ainda maior. Em Alagoas, por exemplo, a cada não negro assassinado, 17 pessoas negras foram mortas. Para os especialistas, isto é resultado de um aprofundamento das disparidades raciais no país, o que aumenta o risco de assassinato contra pessoas negras no Brasil. 

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