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Idosa de 77 anos está na fila por cirurgia no Into há 3 anos

Elza Moutinho aguarda por cirurgia de prótese de joelhos

relogio min de leitura | Redação 26 de agosto de 2020 - 14:18
Por conta da pandemia, Elza não tem conseguido realizar a fisioterapia, já que não tem recursos para fazer em casa
Por conta da pandemia, Elza não tem conseguido realizar a fisioterapia, já que não tem recursos para fazer em casa -

A idosa Elza Moutinho, de 77 anos, de Itaboraí, está há mais de três anos aguardando por uma cirurgia de prótese dos joelhos no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), do Rio de Janeiro. Com os joelhos debilitados por conta da idade, Elza passa por algumas dificuldades, como não conseguir ficar em pé sozinha e realizar outras atividades básicas. 

De acordo com a neta, Michelly Moutinho, a pandemia agravou a situação de sua avó, já que ela não pode mais sair de casa para realizar a fisioterapia, já que ela também faz parte do grupo de risco de contaminação da covid-19. 

"Ela não está conseguindo mais ir, mas [fisioterapia] em casa ela não tem condições de pagar. Ela usa muitos remédios, ela fazia a fisioterapia pelo SUS antes da pandemia ,mas sempre com alguém levando."

Com o problema se agravando cada vez mais, Michelly passou a recorrer ao Into para providenciar uma cirurgia para a vó, mas a estudante deu de cara com uma enorme fila que parece não ter fim. Sua vó, atualmente ocupa a posição nº 865 na fila para obter a operação. Enquanto o procedimento não acontece, os médicos continuam avaliando e receitando medicamentos e exercícios fisioterápicos para a idosa. Mas, de acordo com Michelly, eles não estão mais sendo suficientes. 

"Já tivemos consultas com o ortopedista do Into, mas eles só avaliam, passam remédio e fisioterápicos. Até chegar a vez dela. Ela não tem condições de esperar tanto mais assim. Ela passa a maior parte do tempo deitada. Tem dias que ela nem consegue dormir, pois está bem inchado", completou.

Diante da gravidade e do desespero, Michelly decidiu recorrer à Defensoria Pública de Niterói, mas recebeu outro banho de água fria. Segundo ela, a cirurgia em sua avó Elza só poderia ser realizada se ela estivesse correndo risco de morte.

"Já fui na defensoria, dei entrada, levei o laudo e não conseguimos, só se fosse em caso de risco de morte. Não sabemos mais como agir. Devido a tantos problemas que estamos convivendo.", finalizou. 

Em resposta, o Into respondeu que "a gestão da fila para realização de cirurgias ortopédicas é de responsabilidade do Município, segundo a lei orgânica do SUS, sendo o INTO apenas um órgão executor das cirurgias. O INTO assumiu temporariamente a gestão desta fila, devido a sua expertise acumulada e a baixa capacidade do Município para assumir este papel.

A pandemia teve grande impacto no INTO. O papel desempenhado pelo instituto no enfrentamento a pandemia, acordado com os órgãos de controle e com a Secretaria Estadual de Saúde (SES) foi o de atender todo o trauma ortopédico do Estado do Rio de Janeiro, para liberar leitos dos hospitais gerais e de emergência para atendimento ao COVID.

Durante a pandemia foram suspensas as cirurgias eletivas por orientação das autoridades sanitárias, sendo realizadas apenas as cirurgias de urgência e emergência (Trauma) e as cirurgias oncológicas, devido ao risco alto de transmissão do COVID. Desta forma as chamadas de todas subfilas foram interrompidas, principalmente as que envolvem procedimentos mais complexos, com tempo de permanência maior dos pacientes no hospital.

Apesar da suspensão das cirurgias eletivas, no período da pandemia (16/03 a 31/07), foram realizadas 857 transferências e 1.540 cirurgias. Este atendimento do trauma ortopédico liberou 857 leitos dos hospitais de emergência do Estado do Rio de Janeiro.

Com as transferências, muitos pacientes transferidos de outros hospitais vieram contaminados com COVID 19, o que fez com que o INTO, além de atender ao trauma, tivesse que ajustar muitos de seus processos operacionais para atendimento ao COVID.

As atividades eletivas estão sendo retomadas, segundo um plano cuidadosamente elaborado e em fases. No momento o INTO se encontra na terceira fase de reabertura, tendo sido reiniciadas as cirurgias de menor complexidade em 13/07 e as de maior complexidade em 03/08. Vale ressaltar que no cenário atual de coexistência com a pandemia, novos protocolos têm que ser seguidos, o que impacta ainda a produtividade institucional, assim como em todos os outros setores da sociedade civil.

A paciente Elza Moutinho dos Santos, 77 anos, prontuário 350739, foi inserida na fila de espera para artroplastia primária do Joelho em 10/12/2018. Ocupa atualmente a posição de número 865, o que significa que existem vários pacientes aguardando, com as mesmas condições dela, na lista para este procedimento. A paciente compareceu a 3 consultas em 2018 e a 6 consultas em 2019, já que o INTO disponibiliza apoio clínico aos pacientes enquanto aguardam pelas cirurgias.

Infelizmente a pandemia fez com que as chamadas fossem interrompidas por 4 meses e meio, tendo sido reiniciadas em 03/08. O critério de chamada para cirurgias segue rigorosamente a data de inserção nas subfilas, já que todos os pacientes apresentam quadros similares.

O INTO espera poder aumentar sua produtividade, mantendo a segurança dos pacientes e de seus funcionários, assim que a pandemia recrudesça."

*Estagiário sob supervisão de Thiago Soares

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