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Massa de ar polar se aproxima e faz temperatura despencar em São Gonçalo

Pico do frio será no sábado, onde a máxima não passa dos 19 ºC

relogio min de leitura | Redação 20 de agosto de 2020 - 14:19
Fora do comum, esta frente fria chegará até a região Norte do país
Fora do comum, esta frente fria chegará até a região Norte do país -

Por Daniel Magalhães*

Os gonçalenses terão que tirar o casaco do fundo do armário a partir dos próximos dias. Nesta quinta-feira (20), chega ao Rio de Janeiro uma massa de ar polar vinda da Argentina, que pode causar forte queda de temperatura, além de chuva fraca a moderada em pontos isolados. O ápice do frio deve ser no sábado, quando a temperatura não vai passar dos 19 ºC, segundo o site Climatempo.

Diferente dos dias anteriores, que registraram temperaturas próximas aos 30 ºC, o tempo muda drasticamente nesta quinta-feira e máxima não passa dos 24 ºC. A temperatura mínima será de 17 ºC. Na sexta-feira (21), o frio fica um pouco mais forte, com máxima de 21 ºC e mínima de 15 ºC. No sábado, a mínima será de 15 ºC e a máxima será de 19 ºC.

Considerada por muitos como uma onda de frio histórica, esta massa de ar polar se estenderá até estados da região Norte do país, algo não tão comum, considerando que grande parte das massas de ar frio perdem força após passarem pela região Sul. O que torna esta intensa massa de ar frio diferente das outras que chegam ao país é seu tamanho e intensidade, como consequência de algumas alterações e oscilação climáticas.

"Essas massas de ar frio geralmente se formam em regiões com altitudes muito altas. No nosso caso, como estamos na América do Sul, elas normalmente vêm da Antártida. Como a gente tem uma dinâmica de movimento das massas de ar, a grosso modo, pode-se dizer que o frio sempre procura o quente, a gente tem deslocamentos e troca de calor na atmosfera. Então essas massas formadas em locais de altas altitudes acabam vindo para lugares mais quentes. Aqui na América do Sul, sempre que tem essas massas de ar frio, elas perdem força depois que passam pelas Cordilheiras dos Andes. Normalmente, essas massas passam pela Argentina, pela região Sul do Brasil e quando chegam na região Sudeste já estão bem mais fracas porque já encontram um continente mais aquecido e essa troca de calor com o continente faz com que enfraqueçam. O diferente dessa massa é que há uns três, quatro meses que a região do Oceano Pacífico Equatorial já tem estado bastante fria, mas não estavam conseguindo atingir o Brasil e também fomos para uma fase negativa na oscilação Antártida. Para ter uma noção de grandeza, geralmente os sistemas de alta pressão atmosférica estão entre 1035 e 1040 hPa (hectopascal), que já é muito frio. Esse chegou a 1046 hPa. Então é um sistema atipicamente mais frio do que o que estamos acostumados na América do Sul.", diz o o meteorologista e professor da UFF, Márcio Cataldi.

Segundo Márcio, teremos que aguentar o frio até o início da próxima semana, quando a frente fria perde a força e as temperaturas começarem a aumentar. 

"A gente tem perspectivas de termos mínima de 2 a 4 ºC em regiões de Serra e aqui na Região Metropolitana, como São Gonçalo e Niterói, podendo chegar a 12 ºC de mínima, o que já é atípico. Além disso, ela será acompanhada de chuva por causa do encontro de massa de ar quente e ar frio, onde vai predominar a frente fria a partir de sexta-feira", completou. Segundo o professor, a temperatura só não vai abaixar mais por conta do oceano, que consegue 'regular' a temperatura, mas o frio vai persistir pelo menos até o domingo.

Embora alguns tenham alarmado para a possibilidade de geada e neve até mesmo em algumas regiões do Rio, o professor ressalta que, mesmo não sendo impossível, a possibilidade é mínima, podendo acontecer em picos mais altos do estado, como a Serra do Itatiaia, que já registrou a ocorrência de neve três vezes, em 1985, 1988 e 2012. Em 1985 nevou por 9 horas seguidas no local e a neve demorou três dias para derreter.

O frio em São Gonçalo não será suficiente para nevar, mas a chuva e queda na temperatura já serão suficientes para que as bermudas e regatas deem lugar a calças e casacos, pelo menos neste fim de semana.

*Estagiário sob supervisão de Thiago Soares

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