União contra serviços mal prestados

Mariana, Ane e Raphaela são as moderadoras do grupo ‘Não recomendo em SG’, no Facebook
Foto: Julio DinizPor Elena Wesley
Buffet e decoração são elementos que não podem faltar em qualquer festa e, por isso, costumam representar boa parte do orçamento de um evento. Mas nem sempre a oferta com um preço muito em conta é uma vantagem na hora de contratar um serviço. Esta é uma das dicas das três moderadoras do “Não recomendo em São Gonçalo”, um grupo do Facebook no qual clientes lesados por fornecedores do município podem relatar o dano sofrido e buscar soluções. A iniciativa surgiu há apenas três meses e já conta com quase 2 mil membros, entre clientes e profissionais do ramo.
“Não desejo o que minha família passou a ninguém. Uma festa de noivado em que boa parte dos produtos contratados não foi entregue e a outra não era nada do combinado. Acaba o clima, ainda que você procure um plano B, além do prejuízo financeiro”, ressaltou Raphaela Oliveira, uma das moderadoras da grupo. Em janeiro, familiares da fornecedora de quitutes “Delícias da Rapha” contrataram um serviço de doces que não cumpriu o combinado em contrato e, após recorrer à delegacia local, descobriram que a proprietária utilizava nome falso para trabalhar.
A decepção foi motivo suficiente para que, junto à Mariana Santos e Ane Azeredo, as três moradoras de São Gonçalo decidissem criar no município um canal de comunicação, no qual, além de relatar prejuízos, clientes pudessem buscar soluções para os imprevistos. Embora esteja aberto a qualquer tipo de reclamação de serviços, 90% dos casos está relacionado a festas.
“Já houve casos em que os fornecedores eslareceram a causa da falha no contrato e até mesmo ressarciram o prejuízo, porém ainda há outros que bloqueiam quem reclama ou saem do grupo”, contou Mariana Santos, que trabalha com lembrancinhas personalizadas.
Segundo Ane Azeredo, o grupo não registra apenas casos isolados de insatisfação, mas também episódios que indicam tentativa de fraude.
“Um fornecedor ‘golpista’, em geral, fecha contrato com pelo menos 10 clientes. Após receber o pagamento, desativa conta no Facebook, ignora ligações telefônicas e até mesmo desaparece do endereço informado”, contou Ane, que administra a “Doce Magia Festas”.
Além dos relatos pessoais, a importância social do “Não recomendo em São Gonçalo” também está associada à imagem dos fornecedores, já que as três moderadoras atuam no ramo.
“Há clientes que têm receio de contratar um serviço divulgado na internet justamente por ter conhecimento ou experiência em casos infelizes como o da ‘Rapha’. Isso prejudica todos os demais profissionais do ramo que trabalham sério”, destacou Mariana.
Pesquisa é fundamental
Empolgadas com o papel de “Procon virtual”, as moderadoras deixam dicas às futuras clientes. “Sabemos que boa parte da população gonçalense não tem um poder aquisitivo tão alto ao ponto de poder promover grandes festas de aniversário anuais. A pessoa se planeja, junta dinheiro para proporcionar um casamento ou um aniversário com o melhor que possa oferecer. Então recomendo que não se deixem impressionar por preços muito abaixo do valor de mercado”, sugeriu Raphaela.
Mariana acrescenta: “É importante conhecer o fornecedor pessoalmente. Vá até a casa dele, veja se tem estrutura para oferecer tudo o que prometeu e sempre faça um contrato. E o grupo está disponível para tirar qualquer dúvida sobre a credibilidade dos serviços na região e compartilhar experiências”.