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Funk em destaque na telinha

MC Carol, de Niterói, é uma das cinco cantoras que participarão de ‘reality’ na ‘Fox Life’

relogio min de leitura | Redação 04 de maio de 2015 - 01:41

O programa, que vai ar a partir do próximo dia 25, terá MC Sabrina, Mary Silvestre, Karol K, Mulher Filé e MC Carol juntas em uma casa na Zona Sul do Rio e comandadas pela veterana Tati Quebra Barraco

Foto: Divulgação

Por Dayse Alvarenga e Lucas Agra

Foi-se o tempo em que a mulher era vista como o sexo frágil, sempre à espera de um príncipe encantado que as lhe assegurasse uma vida de conforto. A renda familiar era garantida pelo homem, e às mulheres, restava a tarefa de cuidar do lar e da educação dos filhos. Hoje a situação mudou. A mulher é dona de sua própria história, se divide entre os papéis de mãe e profissional, enfrenta preconceitos diários de cabeça em pé e tem consciência de seu valor. E no mundo da música, o funk talvez seja um dos expoentes mais fortes do poder feminino. Aproveitando esse momento em que muitas cantoras estão em evidência, o canal “Fox Life” resolveu criar um “reality” para acompanhar a vida de algumas das principais funkeiras do Brasil, que vai ao ar a partir do próximo dia 25. Uma delas é a niteroiense MC Carol.

O programa seguirá o estilo do “Mulheres Ricas”, da Bandeirantes, acompanhando o dia-a-dia das funkeiras. Além de MC Carol e Tati Quebra Barraco, o programa mostrará a rotina de MC Sabrina, Mary Silvestre, Carol K e Mulher Filé.

“Lucky Ladies mostrará a realidade de mulheres que batalham em busca de seus sonhos dentro da música e do funk brasileiro. O programa possibilitará compreender melhor o universo do funk, com uma visão abrangente e profunda das pessoas e histórias que fazem parte desse gênero musical”, garante Eduardo Zenbini, Vice-presidente de produção, programação e marketing da FOX Brasil.

Autora do hit “Minha vó tá maluca”, MC Carol está animada para participar da atração e acredita que o mercado para as mulheres no funk melhorou muito.

“Na época da Tati (Quebra Barraco) era mais complicado. Tinham poucas mulheres”, diz Carol elogiando muito a “pioneira”. “A Tati ajudou muito. Se não fossem mulheres como ela, que botaram peito para fazer o que faziam, hoje seria bem mais complicado”, completou a niteroiense que já tem quase quatro anos de carreira.

Mesmo já tendo um certo reconhecimento, Carol espera que o “reality” gere ainda mais impacto em sua carreira. “O programa pode abrir portas pra mim não só no Brasil como no exterior. Ele vai ser exibido em 15 países”, disse animada.

Citada por Carol como peça-chave para o espaço que a mulher tem hoje no funk, Tati Quebra Barraco diz que acabou levantando uma bandeira “sem querer”, não tendo sentido tanto preconceito, pois começou sua carreira de maneira despretensiosa. “Eu não levava a sério (a carreira). Eu comecei por brincadeira e fui deixando levar. Não foi nada planejado. Então acho que não sofri por conta disso”, contou.

Questionada se o funk mudou muito nos últimos anos, Tati foi categórica: “Tudo muda nessa vida, né? A batida mudou um pouco, tá mais pop, tem mais mulheres fazendo funk, tem mais visibilidade também”. Mas ela mesmo não mudou muito não. “Continuo falando as minhas sacanagens”, disse com bom humor a funkeira, que será a apresentadora da atração da FOX.

Apoio - Para Adriana Facina, antropóloga e professora da UFF, o “reality” vai ser importante para mostrar a realidade das funkeiras. “Eu acho ótimo, pois, além de uma possibilidade de trabalho e visibilidade, vai mostrar um outro aspecto dessas mulheres”, disse Adriana afirmando ainda que a televisão tem um débito com o público do funk, e que essa pode ser uma oportunidade de corrigir equívocos.

“É a industria do entretenimento se rendendo as camadas mais populares. Geralmente a televisão tem uma abordagem sensacionalista em relação ao funk, focando na ligação do gênero com o crime, etc. É importante então mostrar o outro lado para que se diminua o preconceito com relação ao funk, um movimento cultural legítimo”, completou.

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