Usuários do CAPS do Mutondo protestam contra a falta de medicamentos na unidade
Orientação é que retornem na próxima semana para conseguir os remédios

Por Daniel Magalhães*
Usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Paulo Marcos Costa, no Mutondo, protestaram nesta quinta-feira (9) contra a falta de medicamentos na unidade de tratamento. Segundo os usuários, há falta de medicamentos e os funcionários estão os orientando a retornarem a unidade extra-hospitalar na próxima segunda-feira. Há cerca de 20 pacientes sem medicamentos, de acordo com usuários do centro.
"Os medicamentos chegaram hoje de manhã, mas a enfermeira disse que só liberariam na segunda-feira, tem gente que tá com o filho tendo crise em casa porque está sem medicação e ele vai ter que esperar até semana que vem?", disse uma das usuárias do serviço, Edvania Menezes.
Segundo ela, a medicação só foi liberada após entrarem em contato com o presidente do Conselho de Saúde Mental por meio do Movimento das Mulheres de São Gonçalo e o recolhimento de assinaturas dos usuários em um abaixo-assinado. Mesmo assim, apenas parte da medicação foi liberada para os pacientes, que terão que buscar o restante na segunda-feira.
Os usuários do CAPS do Mutondo também reclamam da precariedade do atendimento na unidade. Segundo eles, embora o local seja espaçoso, quem possui consulta marcada na unidade precisa esperar na calçada para ser atendido e, mesmo que o local abra todos os dias, somente na quinta-feira, que é dia de consulta, os usuários são atendidos.
Segundo a coordenadora municipal de saúde mental, Aparecida Lobosco, "houve um atraso nas entregas das medicações, em vista da demanda crescente neste momento vivenciado em escala mundial. No entanto, informamos que as medicações foram entregues hoje pelo setor responsável e, em comunicação com a coordenação do referido CAPS fomos informados que a dispensação já foi normalizada."
O que são os CAPS?
O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é uma unidade destinada a acolher pacientes com transtornos mentais buscando integrá-los socialmente, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, oferecendo-lhes atendimento médico e psicológico. Os Caps atendem cidades ou regiões com pelo menos 70 mil habitantes e são destinados a pessoas com transtornos mentais persistentes.
*Estagiário sob supervisão de Thiago Soares