Novo ministro da Educação se diz a favor das cotas mas mantém discurso neutro
UNE criticou indicação de Carlos Alberto Decotelli

O presidente Bolsonaro anunciou nesta quinta (25) o nome do novo ministro da Educação. Carlos Alberto Decotelli vai ocupar o cargo que era do polêmico Abraham Weintraub e mostrou em entrevista recente alguns de seus posicionamentos na política. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Decotelli disse ser a favor das cotas raciais como mecanismo para tentar diminuir as diferenças no acesso à educação. "Não podemos exigir resultados iguais para aqueles que não tem igualdade no acesso. Cotas dependerão sempre de reflexão de toda a sociedade".
Ele tentou manter um discurso mais neutro durante a entrevista e contou sobre suas experiências em sociedade brasileira. "Passamos mais de 300 anos com esse conceito de escravocrata. Hoje, ainda temos muitas contaminações de metodologias, subjetividades. Eu nunca, como negro, fui um George Floyd. Nunca sofri o racismo de tomar dois tiros nas costas. Mas perceber olhares, de eugenia de ambientação, ou seja, criar um ambiente que não seja para negros", contou ele.
Com o apoio do governo atual e da ala militar, Decotelli parece não ter agradado a União Nacional dos Estudantes (UNE). O presidente da entidade, Iago Montalvão, criticou a indicação do novo ministro por ele não ter nenhuma proximidade com a Educação. Para a UNE, o ministério foi entregue para o mercado financeiro.
"O novo Ministro da Educação não tem praticamente nenhuma experiência ou proximidade com a Educação, a não ser ter sido presidente do FNDE há alguns meses atrás, em que é acusado de ter gastos abusivos com viagens. Bolsonaro entrega o MEC ao mercado financeiro", escreveu o presidente nas redes sociais.