Judoca faz vaquinha para viajar e criar projeto social em SG
Amanda pretende aprender mais sobre o judô para ensinar melhor

Por Ana Carolina Moraes*
O esporte pode servir como uma fonte de inspiração e de crescimento para diversas pessoas. Foi isso o que ocorreu com a judoca Amanda Cristine da Silva, de 34 anos, que hoje é professora de educação física e busca levar o esporte para as mais diversas crianças em São Gonçalo. Amanda está realizando uma vaquinha para viajar ao Japão e conhecer a escola de judô denominada Kodokan. Lá, a judoca, que é faixa preta, buscará se aperfeiçoar e poderá aprender mais sobre o esporte para ensinar as crianças do município. A judoca pretende fazer a viagem em 2022 e busca arrecadar R$ 8 mil, que serão seus gastos com passagem e hospedagem.
A história de Amanda com o esporte começou quando a mesma era ainda bem pequena. Com 7 anos, Amanda acompanhou um colega que tinha crise de bronquite e precisava da ajuda do esporte. No local, a judoca se apaixonou pela área, mas ainda não tinha condições de comprar o kimono e pagar pelas aulas do esporte. Foi quando, aos 8 anos, ela conheceu um projeto social na Ilha do Governador, chamado Judô Comunitário Ilha Guarabu, e conseguiu finalmente praticar o judô.
"Fiquei 1 ano apenas assistindo o meu vizinho praticar o judô porque eu não tinha dinheiro pra comprar o kimono. Até que um dia a prima de meu pai me deu o melhor presente da minha que foi o kimono. A partir daí, aos 8 anos eu conheci o projeto social de um homem chamado Sensei Alberto Kalil, que abria o terraço de sua casa no bairro Flamarion, na Ilha do Governador, para treinar crianças gratuitamente. O sensei só exigia que nós estivéssemos estudando e com boas notas no boletim", disse Amanda que hoje também é faixa amarela no taekwondo.
Aos 12 anos, Amanda começou ajudar o sensei a dar aula para seus alunos. Aos 16 anos, Amanda se mudou para o bairro de Santa Izabel, em São Gonçalo, e continuou treinando no Clube Tamoio, mas apesar do esporte ter se tornado sua paixão, Amanda se manteve longe do sonho de ser atleta por causa dos altos custos. A vida da judoca mudou mais uma vez em 2007, quando, por indicação de uma colega, ela resolveu se matricular no curso de Educação Física na Universidade Salgado de Oliveira (Universo). A partir daí, ela, que já tinha experiência em dar aulas desde tão nova, pensou em se tornar professora do esporte e incentivar outras crianças.
"Através do estudo na faculdade, comecei a mudar muitos pensamentos de atleta e passei a focar tudo que aprendia para o ensino escolar e o trabalho com crianças", disse Amanda que fez licenciatura e bacharelado em educação física. Hoje, Amanda faz mestrado e é professora da Universo.
Com tudo o que aprendeu, Amanda agora foca em conseguir desenvolver mais seus conhecimentos sobre o esporte no Japão, país no qual, segundo a judoca, é o "berço do judô".
"Agora meu objetivo é ir no Japão. Lá, aprenderei as formas de ensino trabalhadas com crianças, as implantações de trabalho nas escolas e realizarei o sonho de qualquer judoca de conhecer o berço do judô que é o Japão. Ir ao Japão é a concretização de um sonho pessoal e também profissional, é a realização não apenas do meu sonho, mas de meu sensei Kalil e de várias crianças que ainda fazem parte do projeto Judô Comunitário que não tem ajuda de nenhum órgão. Essas crianças me veem como espelho, como um futuro e a esperança de um dia conquistar seu espaço na sua vida pessoal e também profissional", concluiu a judoca.
Tudo o que Amanda aprender no Japão, ela pretende ensinar para diversas crianças no Brasil. A judoca tem o objetivo de abrir um projeto social após sua viagem, assim como o seu sensei, para ensinar diversas crianças e ajudar aqueles que têm menos condições a conhecerem o esporte e não acabarem no caminho da criminalidade.
Para ajudar a judoca, basta acessar o link da vaquinha a seguir: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-a-sensei-amanda-cristine-rumo-ao-japao. Até o momento, a judoca arrecadou R$ 600. Amanda também busca patrocinadores para ajudá-la com sua ideia de criar um projeto social, para quem quiser contatar ela e saber mais sobre o tema, basta entrar em contato pelo telefone (21) 96454-3323.
*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas