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Idoso é transferido para Hospital Oceânico sem autorização da família

Luiz Antônio, de 75 anos, foi diagnosticado com coronavírus

relogio min de leitura | Redação 24 de maio de 2020 - 15:30
Luiz Antônio, de 75 anos, foi diagnosticado com coronavírus
Luiz Antônio, de 75 anos, foi diagnosticado com coronavírus -

Por Ana Carolina Moraes*

A família do paciente Luiz Antônio Gomes Manhães, de 75 anos, diagnosticado com o coronavírus, vem vivendo um verdadeiro pesadelo. Isso porque o idoso foi transferido do Hospital Municipal Carlos Tortelly (CPN) para o Hospital Municipal Oceânico, em Piratininga, Niterói, na última quarta-feira (20) mesmo sem  a autorização da filha do paciente, Patrícia Figueiredo. Luiz Antônio também é cardíaco e portador de Alzheimer.

Segundo a família, tudo começou quando Luiz Antônio deu entrada no Hospital Municipal Carlos Tortelly (CPN) no último dia 8, e testou positivo para o Covid-19. A partir daí, o idoso foi encaminhado para a sala vermelha do hospital onde recebeu o tratamento para a doença. No dia seguinte, o idoso já recebeu o tratamento a base de cloroquina e azitromicina que, na noite do mesmo dia, foi autorizado pela família. 

Luiz Antônio apresentou um quadro de melhora do coronavírus e foi transferido para a sala verde no dia 15 de maio. No entanto, segundo Patrícia, mesmo com a melhora do idoso, a médica responsável informou que ele deveria permanecer no quarto verde para ter um acompanhamento de seu quadro de Alzheimer e afirmou que o paciente também necessitava de uma sonda nasogástrica.

No último dia 17, no entanto, uma médica do CPN informou para Patrícia que seu pai estava em uma lista para transferência para o Hospital Oceânico. No mesmo dia, Patrícia ligou para o Núcleo Interno de Regulação (NIR) desautorizando a transferência de seu pai.

Patrícia, então, recebeu outro telefonema do CPN na última terça-feira (19), informando que seu pai receberia alta e que ela deveria ir ao hospital para assinar os documentos. Foi quando Patrícia, na manhã da última quarta-feira (20), foi assinar os documentos da liberação do pai e descobriu que o mesmo havia sido transferido para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Oceânico, mesmo sem a autorização da mesma. 

“Foi absurdo, uma situação que não entendi. Meu pai não precisava de CTI, mas passou o dia inteiro lá. Quando perguntei sobre os medicamentos psiquiátricos e cardiológicos que ele precisa tomar regularmente, não souberam me informar. Eu também não consegui ter acesso à guia de transferência produzida pelo CPN. Vou entrar na justiça para obter”, disse Patrícia.

A filha ainda relatou que, na última sexta-feira (22), a situação piorou, pois funcionários do Hospital Oceânico informaram que o pai dela estava com febre e secreção no pulmão. Neste sábado (23), o desespero tomou conta de Patrícia, que ficou sabendo que o quadro do pai, mesmo curado do Covid-19, piorou e agora ele precisa de uma transfusão de sangue.

“Tudo isto está acontecendo porque meu pai não precisava ser internado. Ele ficou 10 horas num CTI, junto com outros pacientes que podem tê-lo infectado. Meu pai está internado desde o dia 8 de maio e, a cada instante, recebo informações contraditórias e absurdas. Estou apavorada com tudo o que vem acontecendo”, disse.   

Em nota, a Fundação Municipal de Saúde de Niterói, por meio da Prefeitura do município, informou que "Luiz Antônio Gomes Manhães é um paciente de risco potencial e, por este motivo, precisou ser transferido para um leito de CTI no Hospital Municipal Oceânico, uma vez que, naquele momento, não havia vaga no CTI do Hospital Municipal Carlos Tortelly, por conta da pandemia do coronavírus. A medida foi tomada para garantir melhor assistência ao paciente que, no momento, está evoluindo bem ao tratamento. A direção do Hospital Municipal Oceânico está à disposição da família do paciente para quaisquer esclarecimentos."

*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas 

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