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O melhor amigo do homem

Conan, um golden retriever, é o responsável pelo casamento e recuperação do seu dono

relogio min de leitura | Redação 19 de agosto de 2015 - 23:52

Por Marcela Freitas

Um autêntico final feliz. Assim pode ser definida a história do técnico de operações, o aposentado Oswaldo Luiz de Mello Bonfanti, de 56 anos, e da sua esposa, a veterinária Monique Machado Bonfanti, 51, e de seu cão, Conan, um golden retriever de cinco anos. Que o cão é o melhor amigo do homem, isso é indiscutível. Mas no caso de Conan, ele tem alguns atributos a mais. Além de amigo fiel e carinhoso, foi ele o “cupido amoroso” do casal e um dos responsáveis pela recuperação do seu dono.

Em 31 de maio de 2014, após uma viagem a trabalho, Oswaldo sentiu um falta de ar e forte dor no peito e foi internado as pressas em um hospital de Niterói com arritmia cardíaca. Ele ficou em coma induzido por mais de um mês e sofreu três paradas cardíacas. Durante sua internação, Oswaldo fez uma cirurgia no coração e precisou de uma traqueostomia (colocação de tubo na traqueia para auxiliar respiração). Por conta do procedimento, ele teve um dos lados das cordas vocais danificado e parou de falar.

Foi aí que Conan foi crucial na recuperação de Oswaldo. Após receber alta do hospital, Oswaldo ainda requeria tratamento especializado e foi levado ao Hospital Placi, que tem um conceito diferente em relação à recuperação de pacientes.

Na ocasião, Oswaldo só sussurrava e quando Monique, na época sua noiva, fez uma chamada através de um vídeo conferência, na qual mostrava Conan em sua casa, Oswaldo voltou a falar. “Quando vi o Conan, tentei falar para que ele me reconhecesse. Estava bastante debilitado e diferente fisicamente. Na hora que o vi, chamei pelo seu nome. Nem sei como aconteceu, mas foi muito importante para eu recuperar a fala”, contou.

A partir daí, o cão teve autorização de visitá-lo na unidade, o que comprovadamente trouxe muitos benefícios para a sua recuperação. Quatro meses após sua internação, o técnico de operações voltou para casa e pode desfrutar da alegria de conviver diariamente com Conan.
De veterinária dedicada à esposa companheira

A forte ligação de Conan com Oswaldo vai além de sua recuperação. Foi através do cão que ele conheceu a Monique. Oswaldo, que é de São Paulo, morava no Flamengo, no Rio, e resolveu vender seu apartamento e comprar uma casa em Niterói. Como a casa era muito grande, ele decidiu comprar um cachorro.

E quis o destino que Monique fosse escolhida como veterinária do animal. “Precisava levá-lo ao veterinário e comecei a folhear a agenda de telefone. Foi então que vi o telefone da clínica dela e liguei para marcar a consulta. Na primeira consulta, conversamos por horas enquanto as filhas dela brincavam com o Conan. Um mês depois, já estávamos namorando. Quando eu adoeci, percebi a importância dela na minha vida e o quanto era minha companheira. Não podia deixar escapar essa chance e a pedi em casamento. Nos casamos em fevereiro deste ano, e, com certeza, o Conam tem participação nisto”, disse.

Monique também atribui ao cãozinho a felicidade do casal. “Foi Deus que nos uniu. Conan é o nosso filho. Passamos momentos muito difíceis e dolorosos. Agora está tudo bem”, disse.

Psicóloga: tratamento é comprovadamente eficaz

De acordo com a psicóloga Paula Camargo, que atua no Hospital Placi, o encontro prazeroso, de modo geral, respeitando-se o quadro clínico de cada paciente, produz uma série de estímulos psicoemocionais e cognitivas.

“Quando o paciente apresenta capacidade de interação preservados, os benefícios são incalculáveis. Em muitas situações, remete o paciente a situações de convívio com o animal, levando-o a rememorar e reproduzir hábitos praticados por ambos quando na convivência diária. É como se o paciente esquecesse de sua condição de ‘ser doente’ e passasse a evocar o seu ‘ser saudável’”, explicou.

Ainda segundo a especialista, sob o ponto de vista neuropsicológico, se fala em produção de endorfinas naturais e, consequentemente, de contribuições a nível orgânico.

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