Bolsonaro nega demissão de Teich e fala sobre usar cloroquina
Ele é a favor da substância em pessoas com leves sintomas

O presidente Jair Bolsonaro entrou em desacordo mais uma vez com as normas propostas pelo ministro da Saúde. O presidente demitiu Mandetta há cerca de um mês por causa de divergências em opiniões sobre a saúde pública do país e indicou Nelson Teich, mas parece que também está tendo problemas com o novo ministro. Isso porque Bolsonaro quer que a cloroquina seja usada em pacientes com infecções leves do Covid-19 e Teich discorda.
Em declarações feitas por uma videoconferência com empresários feita pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na última quinta-feira (14), Bolsonaro deixou claro que não pretende demitir Teich, como fez com Mandetta, mas não concordo com as opiniões do ministro. Isso porque Teich, seguindo recomendações médicas, liberou o uso da cloroquina para pacientes graves de coronavírus que estejam internados no SUS (Sistema Único de Saúde).
"Eu não estou extirpando nenhum ministro, nunca fiz isso, e nem interferindo em qualquer ministério, como nunca fiz. Agora votaram em mim para eu decidir. E essa decisão da cloroquina passa por mim", disse Bolsonaro.
Os argumentos de Bolsonaro para o uso da cloroquina em pacientes leves do coronavírus é que o Conselho Federal de Medicina (CFM) admite que pacientes com sintomas leves da doença sejam medicados com a substância.
"Estou exigindo a questão da cloroquina agora também. Se o Conselho Federal de Medicina decidiu que pode usar cloroquina desde os primeiros sintomas, por que o governo federal via ministro da Saúde vai dizer que é só em caso grave? Eu sou comandante, presidente da República, para decidir, para chegar para qualquer ministro e falar o que está acontecendo. E a regra é essa, o norte é esse", disse Bolsonaro. Bolsonaro ainda afirmou que o protocolo de saúde proposto por Mandetta, antigo ministro da Saúde, não pode continuar sendo seguido, como faz Teich.
"'Tá' tudo bem com o ministro da Saúde. 'Tá' tudo sem problema nenhum com ele. Acredito no trabalho dele. Mas essa questão, vamos resolver. Não pode um protocolo de 31 de março, quando estava o ministro da Saúde anterior dizendo que era só em caso grave... a gente não pode mudar protocolo agora? Pode mudar e vai mudar", disse que a alteração ocorrerá "em comum acordo com o ministro da Saúde, porque o Conselho Federal de Medicina diz que tem que ser feito dessa maneira", disse.
Desde essa divergência, Teich vem sofrendo ataques de apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais. Mas, o presidente negou que pretende demitir Teich, como fez com Mandetta.