Um dos exames de coronavírus de Bolsonaro não apresenta dados do presidente
O presidente usou codinomes nos três laudos médicos

Foram divulgados os exames de coronavírus do presidente Jair Bolsonaro na última quarta-feira (13). Mas, uma coisa que chamou a atenção foi que, além dos três exames apresentarem nomes fantasias e não o nome do próprio presidente, um deles não possui o CPF de Bolsonaro. A divulgação dos exames foi um pedido judicial do jornal Estado de S. Paulo que foi atendido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski como garantia de acesso á informação. As informações são do jornal A Folha de S. Paulo.
Apesar uma batalha judicial de quase um mês e meio, em que o jornal A Folha e a defesa de Bolsonaro discutiam se seria ou não divulgado os exames de coronavírus do presidente, finalmente os três laudos com o resultado negativo do presidente foram divulgados para a imprensa. Os exames foram feitos em março e possuem nomes fantasia e não os de Bolsonaro.
Dois dos exames foram feitos no laboratório Sabin, com os seguintes nomes de pacientes: Airton Guedes e Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz. No entanto, o número de CPF, o RG e a data de nascimento dos pacientes eram de Bolsonaro. Já o terceiro exame, feito pela Fiocruz, não mostra nem o CPF, nem o RG ou a data de nascimento do presidente da república, pelo contrário, o nome fantasia do laudo é apenas "paciente 05", o que difere bastante dos outros dois. Os três exames foram feitos em março, após Bolsonaro retornar de uma viagem aos Estados Unidos para encontrar Donald Trump. Cerca de 23 pessoas que estavam com Bolsonaro no percurso acabaram apresentando os sintomas do coronavírus.
Bolsonaro afirmou que tem o costume de usar o codinomes para fazer exames. "Eu sempre falei com o médico: 'Bote o nome de fantasia porque pode ir pra lá, Jair Bolsonaro' já era manjado, principalmente em 2010, quando comecei a aparecer muito, né. Alguém pode fazer alguma coisa esquisita. Em todo exame que eu faço tem um código", disse o presidente há cerca de um mês atrás.
Já o comandante logístico do Hospital das Forças Armadas, general Rui Yutaka Matsuda, explicou que os codinomes são usados para que os exames do presidente não virem alvo de acessos não autorizados. "Considerando que são constitucionalmente protegidas a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas e por questões de segurança, foram adotadas medidas de proteção aptas a salvaguardar os dados pessoais do Senhor Presidente da República", disse ele em um ofício encaminhado para a Presidência da República.
Após a divulgação dos exames, o advogado do Estado Afranio Affonso Ferreira Neto, falou sobre a ação do caso na Justiça. "A ação está ganha, obtivemos os laudos, apesar da recusa da União em apresentá-los espontaneamente. Quanto ao conteúdo dos resultados divulgados, estamos estudando as medidas cabíveis", disse ele.
Vale lembrar que os exames de Bolsonaro foram divulgados antes do resultado oficial da ação judicial feita pela Folha de São Paulo, que obrigava o fornecimento dos laudos médicos do presidente. Por causa disso, quando Ricardo Lewandowski deu sua decisão final sobre o caso, os exames já haviam sido divulgados e ele afirmou que a União "antes mesmo de ser intimada, entregou espontaneamente em meu gabinete os laudos dos exames". Para completar, ele disse: "De toda a sorte, a União, ao submeter os laudos dos exames a que se sujeitou o Presidente da República, para a eventual detecção da covid-19, acabou por atender o pleito que a reclamante (o Estado) formulou no bojo da ação ainda em tramitação na primeira instância."
Apesar da divulgação dos laudos, o Planalto, no entanto, não afirmou se Bolsonaro realizou o teste sorológico para a covid-19, que mostra se a pessoa tem os anticorpos do coronavírus em seu sistema imunológico.
Bolsonaro deu declarações sobre o tema na última quarta-feira (13). "Somos escravos da lei e a lei disse que a intimidade, isso aí você não precisa divulgar. Por isso, desde o começo eu me neguei a mostrar", afirmou o presidente.
Vale lembrar que a Justiça Federal em SP e o Tribunal Regional Federal da 3ª Região já haviam decidido que o jornal Folha de S. Paulo teria o direito aos laudos médicos do presidente, mas o Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, barrou essa decisão na última semana. Por causa disso, o jornal recorreu ao STF.