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Ensino a distância: entenda e conheça o método aplicado na pandemia

Professores e alunos relatam as dificuldades e os benefícios do método

relogio min de leitura | Redação 14 de maio de 2020 - 09:18
O ensino a distância é uma forma de manter os jovens em contato com a escola ou universidade na pandemia
O ensino a distância é uma forma de manter os jovens em contato com a escola ou universidade na pandemia -

Por Ana Carolina Moraes*

Com a pandemia do novo coronavírus, as rotinas precisaram ser reinventadas. Uma das coisas que mudou bastante na vida dos estudantes brasileiros foi a aplicação do ensino a distância (EAD).Algumas universidades e escolas já adotavam o método de maneira parcial, mas introduzir esse ensino na quarentena foi a forma encontrada para não afastar os alunos de seus estudos na pandemia. No entanto, é um método ainda gera dúvidas, mas ganhou fôlego e garante uma maior personalização da aprendizagem. Entenda melhor o método EAD e como se organizar para estudar por ele no isolamento social.

Para a jovem universitária Rosa Borges, de 22 anos, o EAD é um método que tem sim algumas complicações, principalmente com relação a interferências na internet, mas, para Rosa, isso não interfere em seu processo de aprendizado.

"É uma experiência nova. A minha maior dificuldade é na hora das aulas para tirar as dúvidas, porque, as vezes, o áudio e a imagem "picotam" pela internet ou o sistema do professor cai e fica difícil de acessar o conteúdo. Mas, eles disponibilizam, na maioria das vezes, o conteúdo com as matérias que serão dadas por power point e assim consigo me manter focada", informou a estudante de Turismo.

Rosa afirma que é possível ter um bom desenvolvimento no aprendizado do EAD com bastante organização. Vale lembrar que a instituição de Rosa já utilizava, antes da pandemia, o método para algumas matérias online, por isso, existe a facilidade na adaptação.

"Eu sempre faço resumo das matérias, leio os textos que os professores pedem e exercito com os simulados. Acho que o segredo é esse, estudar todo dia, cada dia uma matéria diferente. Particularmente, eu estudo todos os dias. como só tenho 5 matérias, cada dia estudo uma matéria, no qual corresponde a cada dia de aula", disse a estudante.

Existem também aquelas pessoas que precisam entender o EAD e aplicar no ensino de seus irmãos e filhos. Como é o caso de Yanca Rosa, de 22 anos, que vem buscando ajudar seu irmão, o pequeno Lucas, de 6 anos, que precisa realizar as atividades do colégio pela internet. 

"A professora dele sempre manda vídeos didáticos explicando as tarefas e sobre o momento que estamos vivendo. Esses vídeos são enviados pelo WhatsApp e funcionam bem para o Lucas, ele consegue assimilar bem. A escola trabalha com o Google Classroom também, mas é bem complicado aplicar toda essa didática online para uma criança de 6 anos. As vezes, manter o foco dele nos exercícios é  difícil, sinto ele muito mais distraído e pouco comprometido com os estudos", afirma Yanca que conta que seu irmão sente falta do ambiente escolar.

O método que Yanca encontrou para fazer seu irmão entender melhor os conteúdos também se baseia na organização.

"Eu tento estabelecer horários pra ele. Separo um tempinho durante o dia só para auxiliar ele nas tarefinhas. Na maioria das vezes uma hora por dia é suficiente. Preparo uma mesa organizada, em um ambiente bem iluminado e tento ser o mais dinâmica possível pra prender a atenção dele. As vezes relacionando o tema da atividade com os super heróis preferidos dele pra estimular o interesse", contou a jovem que disse que tenta alinhar estudo e diversão para seu irmão.

Já para os professores, a situação do EADé um adaptação para todos e também pode ser difícil em alguns momentos. O professor Gabriel Mendes afirma que sua realidade com o EAD é um pouco diferente. Ele, que atua como professor de biologia há 8 anos, em uma escola particular, disse que  em sua escola, a aplicação do método foi mais fácil, já que todos os alunos possuíam internet e a escola já utilizava uma plataforma de EAD para alguns conteúdos de apoio.

"A escola que trabalho é uma escola particular de médio porte e parceira de uma rede de escolas. As escolas dessa rede já contavam desde 2018 com uma plataforma digital de aprendizagem (PDA) onde atividades, testes e avisos eram utilizados como uma forma de comunicação a distância entre professor, escola e alunos. Quando veio a quarentena, a rede adicionou a plataforma um sistema de vídeo conferência, "meetgoogle", para criação de salas de aula virtual e assim seguir com as aulas. Antes da implementação dessas aulas todos os professores tiveram um treinamento pela internet fornecido pela rede. Vale lembrar também que na minha escola praticamente todos os alunos têm acesso a internet de qualidade", contou Gabriel que é professor de uma escola particular em Niterói.

Professores da rede municipal de ensino também estão recebendo um curso para aplicar o EAD em seus alunos, como é o caso de Fernanda Carvalho, que é professora municipal há 3 anos e meio.

"Os professores do município foram orientados a fazerem um curso online pelo Google Teams e o Google Classroom, o problema é que a maioria dos funcionários não recebeu o conteúdo por e-mail por não terem seu e-mail ativado, o que atrasou o início desse curso para os professores. O segundo problema é que a plataforma não aguentou, então os que conseguiram acessar pelo e-mail, não fizeram o curso mesmo assim", contou ela que afirma que, mesmo assim, os professores tem mandado exercícios para os alunos.

"O grande problema é que a maioria dos nossos alunos não tem acesso a internet. É muito complicado exigirmos o EAD para crianças. Diretores e professores estão se organizando para enviar o material da melhor forma para os alunos. Estamos nos organizando para fazer com que os alunos não percam o contato com a escola", disse a professora de artes.

Para ela, o EAD tem seu valor no sentido de fazer com que as crianças não percam o contato com a escola. No entanto, para Fernanda, o EAD deveria ser algo mais leve, já que ela trabalha com crianças do ensino fundamental que não tem muita noção do que está acontecendo no momento.

*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas 

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