Dia das Mães: elas lutam por seus filhos especiais todos os dias
Conheça as histórias de Bruna, Naiane e Luciane

Por Ana Carolina Moraes*
Neste domingo (10) de Dia das Mães, a ideia é presentear e celebrar com a pessoa que faz de tudo por seu filho. Pensando nisso, o jornal O SÃO GONÇALO resolveu homenagear as apelidadas de "mães especiais", que todos os dias têm que lidar com os problemas e preconceitos enfrentados por seus filhos que possuem alguma condição especial. Conheça as histórias de Bruna Cavalheiro, Naiane Martins Pereira e Luciane Dias e se emocione com a luta das mulheres que só querem um mundo melhor para seus pequenos.
Bruna Cavalheiro é a mãe do pequeno Davi, de 6 anos, portador de paralisia cerebral espástica (doença na qual ele não conseguia mexer as pernas e os braços com facilidade). Bruna descobriu que Davi era portador da paralisia quando ele tinha apenas 1 ano e três meses, pois ele não sustentava sua própria cabeça. Desde então, a mãe do pequeno Davi e moradora do Fonseca, vem lutando para conseguir um mundo melhor e mais ajuda para seu filho.
Bruna já enfrentou diversos problemas por causa de Davi, como, por exemplo, buscou ajuda, através da campanha #DaviDePé, para custear a cirurgia de rizotomia dorsal de Davi, que não é oferecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e precisava ser feita nos Estados Unidos ou em São Paulo. Além disso, Bruna também lutou para conseguir o auxílio financeiro do plano de saúde de seu filho em relação aos seus custos de reabilitação pós-cirurgia; lutou para que ele tivesse uma mediação exclusiva na escola municipal, já que ele é uma criança considerada "baixo verbal"; lutou por uma cadeira de rodas especial para o pequeno no SUS e por uma alimentação especial para ele.
Hoje, Bruna ainda tem uma rotina especial com o pequeno Davi, mesmo após ele conseguir realizar a cirurgia que ajuda a diminuir sua paralisia. Ela, que também é mãe de Hadassa, de 2 anos, conta que precisa ir para São Paulo constantemente, mesmo sendo caro, para que Davi possa ser acompanhado pelo médico que o operou para saber se existe uma evolução pós-cirurgia. Além disso, ela precisa lidar com médicos, enfermeiras e o tratamento do filho.
"Fora da pandemia, acordamos todos os dias às 6h30 da manhã, tomamos banho e deixamos Hadassa na escola. Após isso, corremos para a clínica, onde entramos às 8h e saímos às 12h, e vamos para escola, onde ficamos até ás 17h para pegar a irmã. A rotina é cansativa e o desgaste físico é grande. A luta não para aí porque temos que lutar todos os dias para fazer valer os direitos do deficiente", contou Bruna, que é bacharel em Direito.
No entanto, mesmo com todo o cansaço da rotina, Bruna não deixa de comemorar o Dia das Mães com o pequeno Davi desde o primeiro dia. "Desde o primeiro ano, eu coloco os braços dele ao redor do meu pescoço simbolizando aquele abraço que eu mereço e preciso para encarar as próximas lutas. É um privilégio amar um carinha muito valente", concluiu ela.
Já o caso de Naiane Pereira é diferente. Seu filho Kaio, de 14 anos, sofreu um acidente de carro em maio de 2015 e, após isso, ele passou a ter uma condição especial já que perdeu calota craniana. O mesmo acidente também fez com que Kaio perdesse o baço e operasse o fêmur da perna esquerda. Desde então, a luta de Naiane para conseguir os direitos por seu filho, que agora passava a ser deficiente, começou.
A autônoma, que também é mãe de Victória, de 12 anos, passou pelo desespero de ver seu filho no centro cirúrgico por 9 horas e teve que recorrer judicialmente para conseguir algum auxílio nos custos de operação de seu filho com o homem que causou o acidente. Apesar de ter perdido essa luta, no entanto, Naiane vence outras diversas diariamente, já que, em sua rotina, ela tem que encarar uma série de fisioterapias com Kaio, para que ele volte a recuperar o movimento completo de suas pernas, e também encara de frente o preconceito que seu filho sofre.
"O que me chamou mais a atenção é o preconceito. Tudo é difícil, desde o transporte público até o colégio. As pessoas olham com indiferença, sendo ele é ser humano como qualquer outro", afirmou a moradora de Mundel.
Naiane, no entanto, mesmo com todas as dificuldades, não deixa de celebrar o Dia das Mães e sempre comemora a vida e a felicidade de seus filhos. "Celebramos com maior amor e alegria ele adora qualquer comemoração. Para mim e um milagre por ter privilégio ser mãe", disse Naiane.
Já o caso de Luciene Dias, é diferente. Ela constatou que seu filho, o pequeno Pedro Henrique, de 4 anos, possuía autismo quando ele ainda tinha 2 anos, pois ele começou a regredir na fala e não mantinha mais contato visual. Foi ao identificar esses sintomas, que Luciene começou a lidar com certas dificuldades. Ela, por exemplo, lutava para conseguir a ajuda de um neurologista para acompanhar seu filho e entendê-lo melhor. Com pouco dinheiro, ela corria atrás do SUS e da ajuda de instituições públicas que lidassem com crianças com a síndrome, mas recebeu inúmeros "nãos" e sempre permaneceu na lista de espera, sem nunca ter sido chamada. Até hoje, mesmo com o acompanhamento médico, Pedro Henrique não tem um laudo fechado da doença, ele continua sendo analisado.
"A pior de tudo é a não aceitação, todo mundo dizendo "nossa ele é tão normal", mas tem os olhares quando a criança faz uma birra ou tem uma crise. Os olhares ficam te recriminando achando que a criança e mal criada.Também acho injustiça só porque você recebe um salário mínimo, as instituições acham que você tem condições de pagar um tratamento que é caríssimo", disse Luciene, que também é mãe de Bryan, de 11 anos, que hoje ajuda ela a cuidar do irmão.
Luciene hoje tem que lutar diariamente com consultas e terapias de tratamento para o pequeno, já que o autismo não tem cura, apenas tratamento. Ela e seu esposo se revezam para cuidar de Pedro. "Acordo cedo porque ele faz terapias em Maria Paula, só de viagem é 50 minutos pra ir e mais 50 minutos para voltar. Ele faz terapias 3 vezes por semana em tempo integral", disse a moradora do Jardim Catarina.
Ela, que vai comemorar o Dia das Mães com um almoço em família, deixa um recado para todas as mães. "Parabéns mamães, parabéns para nós que somos guerreiras, que lutamos como se não houvesse amanhã, que não temos oportunidade e nem portas abertas, mas, mesmo assim, não desistimos. Levantamos a cabeça toda manhã e pedimos a Deus que o novo dia venha ser diferente, e vamos a luta de novo. Parabéns por nunca pensar em desistir. Parabéns pelo nosso dia, que apesar de tudo, todo dia é nosso", concluiu a auxiliar administrativa.
* Estagiária sob supervisão de Sérgio Soares