Quase 3,5 mil PMs do Rio foram afastados do serviço por suspeita de coronavírus
Policial denuncia atendimento precário em hospital da PM

Os policiais, assim como os médicos, também estão na linha de frente do combate ao coronavírus. Os agentes auxiliam a população no cumprimento das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), evitam aglomerações e continuam cuidando dos criminosos que não param de agir durante a pandemia. Por causa disso, cerca de 3.446 policiais entraram em LTS (Licença para Tratamento de Saúde) no estado por estarem com sintomas de Covid-19 desde o início da pandemia. Desses casos, cerca de 106 foram confirmados e 1.334 estão recuperados. Foram registrados também sete óbitos de agentes por causa do vírus. Mas, segundo denúncia, nem todos estão recebendo o tratamento devido com relação ao coronavírus.
Um policial militar entrevistado por O SÃO GONÇALO, passou por uma situação de mal estar nesta semana e reclamou do serviço prestado pelos agentes de saúde do um hospital da PM de Niterói. Segundo a denúncia, o agente começou a sentir os sintomas da doença há 14 dias, quando foi atendido pela primeira vez em um hospital da rede particular e apresentou alterações pulmonares em um exame de imagem feito no local. Após o exame, no entanto, o agente afirma que foram passados um xarope para gripe e medicação para dores no corpo como remédios.
Após 14 dias afastado do trabalho, no entanto, o agente voltou a se sentir mal e procurou um hospital da PM em Niterói, na última segunda-feira (27), quando foi diagnosticado com o Covid-19. Mesmo com o diagnóstico, o agente informou que o hospital da PM recomendou apenas repouso, mas não passou nenhuma prescrição médica ou recomendação de remédio para ele.
“Estranhei não ter tido receita médica e não ter sido submetido a nenhum exame. De que adianta saber que estou contaminado, e não poder fazer nada? Foi o mesmo que dizer eu para voltar para casa e contar apenas com a sorte”, afirmou ele.
O agente percebeu, através de conversas com outros amigos de corporação no Whatsapp, que a falta de prescrição médica com agentes em Hospitais da Polícia era algo que acontecia não só com ele. Pelo contrário, a situação estava se repetindo com outras pessoas que também são agentes da polícia.Uma médica amiga da família do agente o atendeu e iniciou o acompanhamento do caso.
Segundo a especialista a falta da medicação tendo visto o passar dos dias e a piora do estado de saúde poderia levá-lo à morte, além de expor ao risco de contaminação dos demais familiares.
"De acordo com o que vi nos exames, prescrevi as medicações e agora vamos avaliar a evolução do quadro", afirmou a médica que atende atualmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Um jornal carioca apurou que a corporação da PM não teria condições de arcar com uma pandemia da doença, já que está com estoques críticos e precários.
Para o professor e advogado J Haroldo dos Anjos, advogado especialista na área criminal, negligenciar atendimento médico é crime de omissão de socorro, e pode até chegar ao homicídio culposo ou doloso, pelo risco iminente assumido de causar morte da vitima e acentua que na falta do atendimento, ou prestação de socorro.
" O paciente pode e deve chamar acionar as forças de segurança, ou ligar para o Disque Denúncia do Ministério da Saúde (136), a fim de possibilitar o atendimento. e em caso de morte a família pode ingressar na justiça com uma ação de indenização por responsabilidade civil contra o hospital e órgão público responsável pelo atendimento, seja prefeitura governo ou união", explicou.
Em nota, "A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que o mesmo antes de a pandemia chegar ao Brasil, a Diretoria Geral de Saúde (DGS) vem tomando diversas medidas julgadas necessárias para minimizar os impactos sanitários na tropa, como remanejamento de pessoal de saúde para atender pacientes com COVID 19, aquisição de insumos e equipamentos, readequação das policlínicas, HPM-Nit e HCPM.
O HCPM passou por uma reestruturação de enfermarias e CTI para internação de pacientes graves com COVID 19, com suporte de respiradores e monitores, reestruturação da rede de gases e vácuo, necessidade de reforço de energia (aquisição de gerador), entre outros procedimentos.
Medidas emergenciais estão em andamento, como processos de contratação de pessoal para abertura de leitos no HCPM, recompondo parte do déficit de profissionais de saúde, como também o credenciamento de hospitais para a internação de policiais militares.
Além dessas iniciativas para garantir o atendimento da tropa e seus dependentes, a DGS elaborou protocolos para orientar os policiais militares num cenário de crise sanitária sem precedentes. Entre as orientações, estão técnicas e procedimentos para higienização de viaturas, uso de máscaras e maior rigor com a segurança pessoal nas unidades de saúde."