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Idoso mostra talento em pinturas de placas

relogio min de leitura | Redação 15 de agosto de 2015 - 21:04

José Pinheiro, o Zezinho, de 66 anos, é um dos cerca de 150 residentes do Abrigo Cristo Redentor

Foto: Filipe Aguiar

Por Marcela Freitas

Colorir a vida para deixá-la mais bonita. Este é o dia-a-dia do pintor José Pinheiro da Silva, o Zezinho, de 66 anos, responsável por muitos desenhos e placas espalhadas por vários pontos de São Gonçalo. Zezinho é residente do Abrigo Cristo Redentor, na Estrela do Norte, e são dele muitas das pinturas que colorem o pátio da instituição e também os pavilhões. Zezinho, que despontou seu talento para as artes no extinto “Jornal do Brasil”, é o 14º personagem da série de O SÃO GONÇALO que conta um pouco das histórias dos residentes da entidade filantrópica.

Zezinho chegou ao abrigo em janeiro de 2013, quando já havia passado pelo Albergue da Misericórdia mas, segundo ele, foi no Cristo Redentor que ele melhor se adaptou. O idoso chegou a morar um tempo na rua, após abandonar sua casa no bairro do Paiva, em São Gonçalo.

Resgatado por uma mulher, ele foi levado ao primeiro abrigo onde ficou oito meses até ser encaminhado ao Abrigo Cristo Redentor.

José Pinheiro é um idoso com total autonomia, tanto que sai quase todos os dias para trabalhar. Pintor de mão cheia, ele é responsável por muitas placas e letreiros em São Gonçalo e Niterói.

Além das pinturas, Zezinho confecciona brinquedos em madeiras. Sua paixão são os ônibus. “Faço e vendo os brinquedos. Confesso que tenho um pouco de pena de me desfazer deles, mas tenho que fazer isso”, disse.

Solteiro e sem filhos, Zezinho frequenta a Igreja Messiânica e viaja sempre que pode em eventos religiosos. Sobre morar no abrigo, ele diz que é bom, desde que saiba lidar com as diferenças.

“Os profissionais daqui são excepcionais. Só tenho elogios. Cuidam muito bem da gente. Mas entre os moradores às vezes tem conflitos, são pessoas pensando diferente. Mas com jeitinho dá tudo certo”, finalizou pintando a placa que deseja a todos um bom domingo.

Gosto descoberto na redação de um jornal

A história de Zezinho com a pintura começou já na vida adulta. Ele trabalhava como faxineiro no extinto “Jornal do Brasil”, na Zona Portuária do Rio, quando um dia, ele fez a limpeza na mesa de uma das profissionais da redação, que lhe agradeceu com um belo sorriso.

A partir do gesto de gentileza, ele disse à jornalista que a pintaria como retribuição. Após mostrar o desenho à mulher, ela o elogiou e pediu para ficar com os desenhos dele por mais um dia.

Quando ele foi buscá-lo, teve uma grata surpresa. Foi convidado a desenhar para o setor de propagandas do jornal. O trabalho durou apenas quatro meses, mas foi o suficiente para ele aprender e se profissionalizar na arte.

Após esse período como desenhista no “Jornal do Brasil”, ele trabalhou ainda para algumas agências, inclusive na cidade de São Paulo.

“Quando fui trabalhar no jornal não tinha conhecimento das diferenças entre as tintas, lápis e todo material de pintura. Foi pouco tempo porque a equipe mudou, e todos foram dispensados, mas foi o suficiente para eu extrair tudo o que podia daquela oportunidade. Graças ao ‘Jornal do Brasil’ me tornei um pintor”, lembrou Zezinho.

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