Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,0665 | Euro R$ 5,8376
Search

Especialista fala sobre futuro econômico de São Gonçalo e Niterói pós pandemia do coronavírus

Cidades ‘dormitórios’ serão as mais prejudicadas

relogio min de leitura | Redação 28 de abril de 2020 - 17:28
Especialista diz que São Gonçalo vai depender da superação econômica dos municípios vizinhos
Especialista diz que São Gonçalo vai depender da superação econômica dos municípios vizinhos -

Por Thalita Queiroz*

É inevitável tentar fazer projeções para um futuro pós pandemia causada pelo coronavírus. Atingindo alto número de mortes dia após dia, fazendo com que o comércio feche as portas e que pessoas fiquem isoladas em suas casas, o coronavírus mudou completamente a rotina do mundo e fez com que a economia tentasse recalcular rotas de planos econômicos feitos anteriormente.

Desemprego em massa, auxílio emergencial sendo disponibilizado pelo governo para famílias mais vulneráveis em uma tentativa de dar fôlego para economia, microempreendedores se reinventando, incansavelmente. Este é o cenário do Brasil.

Mas afinal, o que os gonçalenses e niteroienses poderão esperar para o futuro? Em uma tentativa de entender qual será o comportamento da economia no país, o professor de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Leonardo Muls, de 50 anos, apontou as fragilidades de São Gonçalo e Niterói, e afirmou que a crise econômica poderá atingir a população por muitos anos.

O professor explica que a economia do Brasil já vinha em crise antes do surgimento da Covid-19. Desde 2014 a economia se apresentava desestruturada, com redução dos gastos públicos e também na área de saúde. Além disso, a tentativa de privatizar empresas estatais estava na mira do governo.

O professor usou uma analogia para exemplificar: “Imagine uma pessoa endividada que tem uma moto e uma bicicleta mas que precisa vender tudo para pagar as dívidas. O mesmo acontece com o Brasil, que vende seus ativos há três anos”, diz Leonardo.

Após a pandemia se instalar no país, algumas cidades tiveram comportamentos e decisões distintas. Enquanto Niterói apresentou prontamente um plano econômico para oferecer suporte à população, São Gonçalo permanece de mãos e pés atados. Há de se levar em consideração que Niterói tem ao seu lado a arrecadação dos royalties do petróleo, o que possibilita o investimento em maiores soluções, por exemplo, ajudou a custear uma boa parte da criação do hospital de campanha em São Gonçalo para atender as vítimas da Covid-19.

Leonardo Muls diz que São Gonçalo está sendo uma das cidades mais expostas pelo fato de não ter uma dinâmica própria e ser considerada uma ‘cidade dormitório’, o que significa ser uma cidade onde as pessoas usam apenas para dormir mas trabalham em outra cidade, como Niterói ou Rio de Janeiro, por exemplo.

“A recuperação para os gonçalenses vai chegar mais devagar do que em outras cidades, vai depender muito mais da recuperação  dos municípios vizinhos, de uma articulação de parceiros comerciais e uma ajuda interna”, diz o professor da UFF.

Com experiência em pesquisa na área de Desenvolvimento Econômico Local, Economia Regional e Urbana e Economia do Trabalho, Leonardo projeta uma possível queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% a 7%, e afirma que os desafios serão grandes. “Locais periféricos dependem do país como um todo para ensaiar uma recuperação, no geral, o país pode voltar a se reerguer em 4 ou 5 anos”, diz Leonardo.

Ações da prefeitura de Niterói

A prefeitura de Niterói, em uma tentativa de contornar a crise econômica local, disponibilizou no último dia 22 de abril, cartões para o pagamento do auxílio aos microempreendedores individuais (MEIs). O auxílio tem um valor de R$ 500 por um período de três meses.

Esse auxílio para os MEIs, assim como o auxílio emergencial disponibilizado pelo governo federal para a população que teve sua renda atingida em decorrência do coronavírus no país, são vistos pelo economista como uma manobra pouco sustentada.

“Os auxílios até ajudam a pagar umas contas, a sair do vermelho durante este momento, mas não é um tipo de ajuda que vai fazer com que a roda da economia gire. A saída mais sustentável é a renda, a demanda. O que a economia vai precisar, depois que tudo isso passar, é ter uma aumento de demanda, mais pessoas consumindo, que tenha um investimento público e privado”, diz o economista.

Ações da prefeitura de São Gonçalo

Já a prefeitura de São Gonçalo não apresentou nenhuma proposta econômica até o momento. Em uma cidade marcada pelo comércio informal, com uma grande quantidade de camelôs nos principais pontos do município, o que os trabalhadores receberam foi o silêncio. A falta de comunicação com a população, em relação às atividades econômicas, passaram a chamar a atenção da população.

O SÃO GONÇALO entrou em contato com a prefeitura para saber se há alguma proposta econômica em andamento, a fim de disponibilizar algum auxílio para os moradores mais vulneráveis ou para os microempreendedores da região. Até o fechamento desta matéria não houve resposta.

*Estagiária sob supervisão de Cyntia Fonseca

Matérias Relacionadas