'Série Profissões': Costureiras continuam no gosto popular e seus trabalhos passam de geração em geração
Conheça a história da costureira Antônia Miranda, de 55 anos

Por Thalita Queiroz*
A alta costura sempre esteve presente no gosto popular. As costureiras de antigamente eram conhecidas e reconhecidas por suas ‘mãos de fadas’ e donas de um poder incrível em transformar panos em roupas que fossem a realização dos sonhos de clientes. Resistindo até hoje, sua desvalorização foi inevitável com a presença massiva de máquinas e grandes indústrias têxteis para a produção de roupas. Não é mais tão normal assim pedir para a costureira fazer uma roupa, já que a comodidade de entrar em uma loja, escolher o estilo e comprar duram poucos minutos.
Mas, mesmo diante desse cenário, ainda há pessoas que fazem com que a profissão resista. A personagem do quarto episódio da série ‘Profissões que resistem’ é a costureira Antônia Miranda Rodrigues, de 55 anos. A gonçalense trabalha desde muito nova na área modista e declarou todo o seu amor pela profissão:
“Eu amo o que eu faço e é um dos motivos de eu continuar costurando para fora. Hoje em dia a gente ganha pouco e trabalha bastante, tem que gostar muito do que faz realmente”, observa Antônia.
Para conseguir uma renda extra, a costureira do bairro precisou terceirizar o seu trabalho e começou a trabalhar para outras empresas. Para dar esse passo não foi fácil, mas foi a forma que Antônia encontrou de não precisar abandonar de vez o que ama fazer. Porém, mesmo com as inovações e a hegemonia das indústrias, costureiras de bairros resistem e estão sempre prontas a atender os clientes que ainda buscam uma costura diferente.
“Eu ainda tenho os meus clientes antigos, muita gente chega pedindo um conserto, uma bainha”, ressalta ela.
A dona de casa Rita Silva, de 42 anos, sempre teve o costume de procurar costureiras para fazer consertos nas roupas das suas filhas.
“Quando minhas duas filhas eram mais novas, eu as levava em uma moça que costurava no bairro. Nas festas juninas da escola, eu pedia para ela fazer os vestidinhos do zero. Eu vejo que isso foi se perdendo com o tempo, mas aqui em casa ainda temos o costume de recorrer para uma costureira pois eu vejo que é diferente, o capricho é diferente”, conta ela.
A filha de Rita, Thelma Nascimento, de 24 anos, continua seguindo as indicações da mãe. A jovem utiliza os serviços de uma costureira para fazer ajustes nas suas roupas ou algumas transformações. O apreço pelo trabalho das costureiras continua sendo perpetuado por gerações.
No último episódio da série “Profissões que Resistem”, vamos falar sobre os brechós e como eles estão voltando a ficar na moda e caindo no gosto popular dos jovens.
*Estagiária sob supervisão de Cyntia Fonseca