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Gonçalenses que moram em Nova York relatam os perrengues diante da pandemia do Covid-19

80% da cidade está respeitando o isolamento social

relogio min de leitura | Redação
Estações de metrô estão com fluxo de pessoas significativamente menor do que em dias normais
Estações de metrô estão com fluxo de pessoas significativamente menor do que em dias normais -

Por Thalita Queiroz*

Gonçalenses que moram em Nova York, no Estados Unidos, relataram as dificuldades que estão enfrentando diante da pandemia do novo coronavírus e contaram quais são as medidas que o governo está adotando para que o pedido de isolamento social seja respeitado. Além disso, moradores nova iorquinos estão apreensivos com a economia do país diante da crise que se instalou pelo mundo.

Kerly Quintanilha, de 43 anos, mora em Nova York há 20 anos e disse nunca ter visto uma situação dessa maneira, nem mesmo na época da queda das torres gêmeas, em 11 de setembro de 2001. Ela contou que 80% das ruas estão vazias, o trabalho home office está sendo permitido e o salário foi cortado pela metade. “Eu acredito que o maior impacto será o financeiro mesmo, em uma proporção que a gente nem faz ideia”, desabafa ela.

Além da queda econômica do país, há outros fatores que deixam os moradores apreensivos. "Eu acho que ainda não chegamos no pico da doença e se continuar desse jeito, com pessoas que ainda não estão levando a sério as medidas de prevenção, eu acho que o governo vai fechar a cidade, pois os números estão subindo”, diz ela que presencia todos os dias pessoas levando sua vida normalmente, caminhando pela rua e trabalhando.

Em relação à comida, Kerly diz que o pior já passou e que quem queria estocar comida já o fez. “Nos mercados algumas prateleiras ficaram vazias sim, é mais difícil de encontrar carne vermelha, macarrão, molho de tomate e pão. As filas para entrar nos estabelecimentos ainda são enormes, os bares estão fechados e os restaurantes estão abrindo somente para o serviço delivery”, relata ela.

Assim como no Brasil, o álcool em gel e máscaras estão sendo itens disputados. A gonçalense diz que uma máscara de papel está custando $ 2 dólares e que há preços abusivos, um reflexo do atual cenário.

Outra gonçalense que está morando em Nova York há 27 anos, é Marilane Castro, de 57 anos. Ela conta que a cidade está deserta, as estações de trem diminuíram significativamente o fluxo de pessoas e que há muita gente perdendo o emprego. Na cidade americana a maioria da população paga aluguel e com a redução dos salários, uma crise pode ser instalada. “O governo já informou que não vai despejar ninguém nesse período, mas tem muita gente também perdendo o emprego”, relata ela.

Marilane diz que está tentando ajudar como pode: “Graças a Deus estou conseguindo fazer comida caseira e levar para alguns amigos, amigas e para as meninas que moram comigo”, conta ela. A gonçalense revelou também que em Nova Jersey, cidade a 1h30 de distância de Nova York, estabeleceu uma medida que ninguém pode estar na rua depois das 20h. Caso a medida seja descumprida, o indivíduo será preso.

O estado de Nova York registrou na última quarta (18), mil novos casos confirmados do novo coronavírus nas últimas 24h.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Soares

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