Conheça as histórias de mulheres que resistem em profissões majoritariamente masculina
Elas lutam diariamente para conquistar o seu espaço

Por Thalita Queiroz*
As mulheres são símbolos de garra, resistência e empoderamento. Para homenageá-las no Dia Internacional da Mulher, O SÃO GONÇALO conversou com três mulheres que enfrentam todos os dias o preconceito e os olhares de reprovação por estarem crescendo profissionalmente em um ambiente majoritariamente masculino.
Grandes nomes de DJs que explodem nas casas de festas são homens e de um tempo para cá o espaço para as mulheres tem se ampliado. A jovem Emylaine Sales, mais conhecida como DJ Emy Sales, tem 22 anos e mora no bairro Coelho, em São Gonçalo. Há pouco tempo se aventurando na área de mixagem, ela conta que em 3 meses já vivenciou situações que a diminuíram como mulher, mas que usa desses momentos para se fortalecer ainda mais no seu trabalho.
"Já passei por preconceito sim e o único motivo é por ser mulher. Acontece dos contratantes pagarem um valor maior para um DJ homem", revela ela. Além disso, há o preconceito com a forma de se vestir para tocar na noite. "Alguns lugares às vezes nem querem saber se a pessoa sabe tocar bem, sabe mixar. Se tiver um corpo 'ok' eles vão te chamar todos os finais de semana", desabafou ela.
Focada em combater esse tipo de abordagem, Emylaine enxerga seu trabalho como uma forma de lutar contra essas situações. "O que eu mais quero é quebrar esse tabu e eu já comecei com a mudança dos meus figurinos. Quero mostrar que ser DJ mulher vai muito além do tamanho de roupa que você usa", diz ela que se preparou muito para chegar onde está agora.
Tendo como inspiração alguns DJs renomados como Dennis e Renan da Penha, ela se inspira principalmente na cantora Anitta. "Pensando em empreendedorismo, eu vejo que a Anitta venceu todas as barreiras do preconceito, levou o funk para fora do país. Me espelho muito na carreira dela e a forma como ela administra tudo", disse a jovem.
Quebrando barreiras dentro e fora de campo
A árbitra gonçalense Camila Massante, de 27 anos, trabalha com arbitragem de futebol 7 há cerca de dois anos. A gonçalense que mora no bairro de Nova Cidade, revelou que nesse ambiente, dominado por homens, ela já precisou passar por cima de muitas piadinhas e desconfianças com o seu trabalho, mas que conseguiu revertê-las.
Sobre conquistar um espaço significativo no esporte, Camila é direta: "Lugar de mulher é onde a gente quiser. E sim, estamos cada vez mais fortes e empoderadas, não só dentro de campo mas em profissões que predominam o gênero masculino". Ela diz que enfrenta uma luta diária, mas que procura se apegar à fé: "Luto dentro de campo pelo meu espaço e na posição de autoridade, pelo respeito. Papai do céu me enche todos os dias de força de vontade, sabedoria, paciência e educação para lidar com adversidades propostas em cada jogo", declara ela.
Camila é casada com a jogadora de futebol Beatriz Menezes, e juntas elas ocupam lugares com hegemonia masculina. A jogadora que atua pelo Santos, revelou que desde a infância se destacava dentro dos campos, chegando a estar na lista da seleção feminina sub 17 com 15 anos. Hoje, atuando profissionalmente na área esportiva, a atleta diz que, assim como a sua esposa, enfrentar o preconceito está no seu dia a dia. “Principalmente quando era criança, nunca podia jogar porque era menina, mas quando entrava no meio dos moleques, era melhor que eles e não saía mais”, lembra a jogadora.
Beatriz acredita que as mulheres estão cada vez mais conquistando o seu espaço em lugares com fortes referências masculinas. “Estão começando a olhar para nós com bons olhos e entendendo que se tivermos investimento e oportunidade renderemos ótimos frutos. O futebol feminino está acontecendo, chegou a nossa hora!”, diz ela confiante.
Sobre suas maiores referências, a jogadora santista diz que sua mãe sempre esteve ao seu lado a incentivando. Já dentro de campo, Formiga, jogadora da seleção brasileira principal, é uma forte inspiração para que ela siga firme no seu propósito. “Estamos cada vez mais fortes e determinadas para irmos e chegarmos onde quisermos”,conclui.
*Estagiária sob supervisão de Ari Lopes