Crianças de São Gonçalo e Maricá ficam internadas após reação da vacina DTP

Os médicos investigam se a vacina foi a causadora da celulite infecciosa

Enviado Direto da Redação


Por Pâmela Dias*


Mães de crianças que tomaram a vacina DTP (Tríplice Bacteriana), preventiva contra difteria, tétano e coqueluche, denunciaram em suas redes sociais a reação dada em seus filhos horas depois de serem imunizados. Segundo elas, os médicos apontam que a vacinação é tida como a principal causa do desenvolvimento da celulite infecciosa que levou as crianças à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os casos aconteceram em São Gonçalo e Maricá.


A denúncia a respeito do quadro clínico dos pacientes foi feita pelos pais e hospitais à Secretaria de Imunização de São Gonçalo e ao Ministério da Saúde. Apesar dos laudos médicos citarem que as crianças foram internadas após uma provável reação vacinal, nenhum diagnóstico pode ser confirmado sem as devidas investigações dos órgãos municipais e estaduais de saúde.


Rosiane Rocha, mãe de Alecsandro Rocha, de 4 anos, contou a O SÃO GONÇALO que levou o filho para se vacinar no dia 30 de janeiro, na Unidade Básica PSF Ponta Grossa, em Maricá. Logo após, o menino começou a sentir fortes dores, febre, rubor, calor e edema na região, além de limitação para movimentar o braço e o ombro. Ao perceber que os sintomas não passavam, a mãe decidiu levá-lo ao hospital.


Alecsandro ficou internado por sete dias no Hospital São José dos Lírios e recebeu o diagnóstico de celulite infecciosa, causada quando bactérias conseguem entrar na pele, infectando as camadas mais profundas, e leucocitose, ocasionado pelo aumento do número de glóbulos brancos no sangue devido à infecção no organismo. No caso da celulite infecciosa, caso a doença não fosse devidamente tratada, poderia causar graves complicações ou até mesmo a morte.


“Foram os sete dias mais tristes da minha vida, ver meu filho em cima de uma cama de hospital, não podendo vestir blusa de manga porque o braço não levantava, tendo que ser carregado para levantar da cama, para tomar banho, tendo que dar comida na boca, etc. O susto já passou, mas o sentimento de medo e insegurança continua para as próximas vacinas, até porque tenho um bebê de 4 meses pra dar vacinas e o medo de acontecer tudo de novo", disse Rosiane.


Já Maryanne Batista, relatou que sua filha Anna Luiza Batista, de 5 anos, tomou a vacina no dia 1º de fevereiro, no Polo Sanitário Paulo Marcos Rangel, em São Gonçalo. Segundo a mãe, duas horas após ser imunizada a menina começou a sentir os sintomas. No dia seguinte, o quadro piorou e ela levou Anna Luiza para a emergência do Hospital e Clínica São Gonçalo. A criança ficou internada por cinco dias com o mesmo diagnóstico de Alecsandro.


"Eu chorei junto com minha filha quando tiraram sangue, quando colocaram o acesso para os antibióticos, eu chorei de medo e insegurança porque a médica disse que a celulite infecciosa é algo grave. Ao mesmo tempo fiquei indignada com o sistema de saúde de nosso estado", relatou Maryanne.


Em resposta sobre o caso, a Prefeitura de São Gonçalo, por meio da coordenação de Imunização da secretaria de Saúde, informou que "quanto  ao caso da Anna Luiza de Oliveira Batista, a Coordenação entrou em contato com a mãe e foram apuradas algumas informações sobre a vacinação. O caso já foi notificado no Sistema de Informações do Ministério da Saúde, com ciência da Secretaria Estadual de Saúde, e ainda está em investigação.


Sobre a criança residente de Maricá, também foi realizado contato com a mãe e ela informou, em um primeiro momento, que na unidade de saúde (em Maricá) onde o menor foi vacinado já havia sido feita a notificação do caso à secretaria Estadual de Saúde e no Sistema de Informações do Ministério da Saúde.


A Prefeitura também entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Maricá para que o município proceda com a notificação e investigação".


Estagiária sob supervisão de Cyntia Fonseca*

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