Família alega que Enel suspendeu auxílio-tratamento de menino eletrocutado em 2019

Família cobra posicionamento de companhia elétrica

Enviado Direto da Redação


Por Thalita Queiroz*


O caso dos irmãos que morreram eletrocutados em São Gonçalo deixou muita gente perplexa esta semana e a história faz relembrar uma outra tragédia envolvendo o menino Adrian Cardoso, de apenas 7 anos, que após ser atingido por um fio de alta tensão que estava solto na calçada, próximo a sua casa no bairro Almerinda, em São Gonçalo, precisou amputar o braço esquerdo e teve 60% do seu corpo queimado. Porém, o seu final foi diferente, e Adrian conseguiu sobreviver, mas segundo seus familiares, ele hoje passa pelo descaso por parte da concessionária de energia elétrica Enel. 


Na época, Adrian precisou passar por um processo de enxerto nas pernas e viveu um longo processo para se recuperar. Depois de 8 meses em uma cama de hospital, a criança teve alta do Hospital de Clínicas de Niterói (HCN), cuja estadia foi custeada pela Enel, e agora passará por um longo processo de readaptação.


Já em casa, a preocupação dos pais de Adrian passou a ser outra. Alexandre Cardoso, pai do menino, diz que o contato com a empresa de energia não está mais acontecendo. Sem saber o que fazer, o pai  exibe as últimas mensagens deixada em seu Whatsapp pela assistente social que estava acompanhando o caso: “Eles não tiveram nem o trabalho de me mandar uma resposta mais formal, foi do nada, e por mensagens no celular”.


Segue a mensagem enviada pela assistente social: "Alexandre, boa tarde. A empresa acabou de me pedir para informar a vocês que está suspenso tudo. Consulta do Adrian, transporte, alimentação, Home Care irá até hoje apenas. Essa consulta de amanhã já estava programada, então a empresa vai arcar. Mas o transporte está suspenso. Aí se vocês forem a consulta precisam ver outro meio de deslocamento".


No dia 8 de agosto de 2019, quando O SÃO GONÇALO procurou a Enel para questionar como seria o suporte da empresa de energia com a família e com o menino, eles informaram que a companhia continuaria prestando assistência à criança. “Todas as despesas com o tratamento clínico estão sendo pagas pela Enel. Além disso, a empresa está arcando com os custos de alimentação e transporte da família. A companhia ressalta que seguirá dando assistência". Mas segundo a família, não foi o que aconteceu após a saída do hospital.


Os pais de Adrian passam por problemas financeiros pois precisaram abrir mão do emprego para conseguir acompanhar a rotina no hospital. “Nós estamos nessa casa que a nossa advogada nos emprestou, eu vendi o carro, vendi a moto que a gente usava para entregar as quentinhas que fazíamos. Tudo o que temos é dado, as contas de luz, comida, os cremes que Adrian precisa passar no corpo, o Uber para ir às consultas, tudo é dado pela nossa advogada ou por parentes”, diz ele que se indigna.


“Hoje a gente está passando por um constrangimento enorme. Eu nunca deixei minha família passar necessidade, nunca. Trabalhei minha vida toda, eu antes trabalhava com extintor de incêndio e precisei parar para acompanhar o tratamento do meu filho”.


Além de Adrian, Alexandre mora com a esposa e mais outros três filhos. O mais novo com 1 ano e 9 meses e o mais velho com 18 anos. Antes do acidente, eles moravam em uma casa humilde no mesmo bairro onde ocorreu o acidente mas o local foi condenado pelo juiz do processo pois não tinha a estrutura necessária para receber o menino. A técnica de enfermagem que passa 12 horas do dia acompanhando Adrian, diz que como a pele dele está muito sensível ele precisa ficar 24 horas do dia em um local com ar condicionado.


“Ele chora porque é criança, quer sair do quarto para brincar em um espaço maior. É complicado, ele não pode ficar em um ambiente quente e precisa passar todos os dias alguns cremes no corpo todo”, explica Bárbara da Silva. A profissional só consegue acompanhar o menino pois a empresa Click Care está custeando os gastos. Alexandre diz ainda que para se alimentar eles conseguiram algumas doações de uma mulher que tem uma loja no Ceasa. 


O próximo passo para o tratamento do menino fica por conta dos medicamentos que não são caros, mas os itens para manter a aplicação dos mesmos tem custos. A preocupação que o pai e a madrasta de Adrian tinham era com o desligamento da empresa. Eles fazem um apelo: “A gente só quer que a Enel arque com as consequências do que aconteceu. Eu preciso que eles nos ajudem no tratamento do meu filho para eu poder voltar a trabalhar e conseguir reerguer minha família”, diz Alexandre.


Ainda segundo o pai, Adrian ficou ainda mais carinhoso após o acidente. “Ele começou a receber muito amor por parte de todos, desde o hospital até os familiares. Ele é quem nos dá força para lutar e superar tudo isso que aconteceu. Meu filho se mostrou muito forte, mesmo quando ele se olhou no espelho pela primeira vez depois de tudo, desde quando ele fez as primeiras perguntas quando acordou da cirurgia”. Alexandre revela que o filho perguntou: “O que aconteceu com o meu braço?” e o pai não teve reação para começar a longa jornada para explicar, com cuidado, como seria a sua vida daqui para frente.


Caso alguém tenha interesse em ajudar a família de alguma forma, pode entrar em contato com o pai de Adrian, Alexandre Cardoso, pelo telefone: (21) 96818-7406.


Em nota, a Enel informou por meio de assessoria de imprensa que "prestou todo o apoio necessário à criança acidentada e à família do menor, desde o momento em que tomou conhecimento do acidente, ocorrido em abril de 2019. A empresa ressalta que não mediu esforços em garantir o melhor tratamento médico à criança, no centro de excelência em queimados do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN). Além do tratamento médico, a empresa custeou transporte, alimentação, vestuário e diversas despesas pessoais da família, na medida em que as necessidades foram informadas à empresa.



Em todos os meses em que manteve contato irrestrito com os familiares, as solicitações foram atendidas integralmente. Em dezembro, a família ingressou com uma ação judicial e, em razão de uma decisão liminar, a Enel Rio foi obrigada a prestar o apoio por meio de depósitos mensais em juízo, cuja quantia foi determinada no processo. A empresa informa que está cumprindo a decisão.



Sobre a mensagem à família da criança, a empresa esclarece que irá apurar o caso".


Estagiária sob supervisão de Cyntia Fonseca*

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