Brasileiros quebram hegemonia de chineses e vencem campeonato de Crossfire na China
Evolução de times do Brasil chamaram a atenção

Por Thalita Queiroz*
Se você convive com algum adolescente ou jovem certamente já ouviu falar de alguns jogos do mundo do esporte eletrônico como Free Fire, CS: Go - que é o queridinho do começo da era das lan houses - League of Legends, ou mais popularmente conhecido como LOL, Fortnite, Crossfire, entre muitos outros que já são febre entre esse público.
Os brasileiros se dedicaram tanto a se aprofundar nesse meio esportivo que conquistaram um grande feito na última semana, em Xangai, na China. Três times, ou organizações como são mais conhecidos, chegaram até o maior campeonato de jogo do Crossfire, o CFS 2019/ Shangai, e pela segunda vez consecutiva derrotaram a hegemonia da China, um dos melhores países que competem, e conseguiram levar dois times brasileiros para a final da competição.
Para serem considerados jogos de esportes eletrônicos, é necessário ter algum teor competitivo, como lutas, tiros ou equipes com coach. Além disso, é necessário formar equipes para ir para o embate. O Crossfire, jogo que dá nome ao campeonato que aconteceu recentemente na China, é um jogo bem antigo e não tem tanta visibilidade no Brasil mas já está conquistando o seu espaço aos poucos. As atualizações que estão acontecendo são fundamentais para ajudar na popularização dele em solo brasileiro.
Quem acompanhou de perto a evolução dos brasileiros dentro do esporte eletrônico foi Jorge Abieri, de 31 anos. O gonçalense formado em publicidade se encontrou no mundo dos games e foi o primeiro no Brasil a criar uma espécie de “mesa redonda” para debater assuntos sobre esportes eletrônicos, chamado “ON ZONE”. Ganhando visibilidade e chamando a atenção de importantes empresários do ramo, Jorge conseguiu ser selecionado, em 2016, para fazer a cobertura do Campeonato CFS.
“Já é o meu quarto ano indo para a China acompanhar de perto a competição, é incrível ver a evolução dos brasileiros nestes jogos. Os times se mostraram com um rendimento a nível mundial para bater a China, pois eles eram imbatíveis e nunca antes o Brasil havia conseguido".
Durante o campeonato que aconteceu entre os dias 7 e 14 de dezembro, foram 12 times de 6 regiões diferentes do mundo e em cada equipe tinha 5 jogadores e 2 reservas. Os representantes brasileiros deixaram a sua marca na edição e pela segunda vez consecutiva conseguiram levar o prêmio principal. Na edição passada, em 2018, um dos vencedores foi o gonçalense Adriano Faria, conhecido como “Adrf”.
Cada vez mais profissionais na área, Jorge Abieri fala da importância desses últimos feitos brasileiros: “A China é muito boa nessa área e podíamos ver como o Brasil chegou forte. Os dois times brasileiros que passaram pelos times chineses, conseguiram passar por eles”, conta Jorge.
Há um investimento forte por trás da competição, os organizadores do evento pagam passagem e hospedagem de todos os jogadores, além de apoiar e convidar algumas pessoas que costumam falar sobre o assunto na internet. Jorge foi um deles e é grato pelo apoio: “Eu tenho um carinho muito grande pelo Crossfire, foi uma oportunidade muito boa para mim. É muito gratificante poder ganhar dinheiro com uma coisa que eu gosto tanto”.
Jorge dá uma dica para todos os jovens que um dia desejam chegar em um alto patamar na área dos esportes eletrônicos. “O que eu sempre falo para os adolescentes e jovens que me pedem sugestão é produzir o seu próprio conteúdo, tentar buscar visibilidade. Tem que ter algum tipo de envolvimento e ir amadurecendo esse conteúdo pois as empresas estão sempre de olho em que faz algo diferente”, diz ele que começou dessa forma, criando uma “mesa redonda” e chamando comentaristas e narradores para debaterem estes temas.
Atualmente, Jorge se mudou para São Paulo pois, segundo ele, a cidade paulista oferece muito mais oportunidades para quem deseja trabalhar nesta área.
“Ainda é tudo muito novo no Brasil e eu vejo que essa é a hora de começar a fazer network. Tem muita gente boa por aí, basta saber se colocar a frente do mercado", completou.
*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas