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Muita vitalidade e superação

Idosa canta, pinta e borda no Abrigo Cristo Redentor, em São Gonçalo

relogio min de leitura | Redação 26 de julho de 2015 - 09:26

Marinha Sá, de 80 anos, é uma das abrigadas mais ativas. Ela é a cantora das serestas, que acontece uma vez por mês no local

Foto: Alex Ramos

Por Marcela Freitas

A chegada à terceira idade é, por vezes, sinônimo de perda de vitalidade e raciocínio. Mas isso, com certeza, não é regra. O caso da aposentada Marinha de Sá prova isso. Quem a olha, nem de longe lhe atribui 80 anos, que diga-se de passagem muito bem vividos. Marinha é uma das residentes do Abrigo Cristo Redentor, na Estrela do Norte, em São Gonçalo, e a a 11ª personagem da série de O SÃO GONÇALO, que conta todos os domingos histórias dos moradores da instituição.

Marinha chegou ao Abrigo há dois anos, por vontade própria. Foi ela quem procurou o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e pediu acolhimento no local. Ela conta que morava em uma área de risco e, por temer pela sua integridade física, resolveu buscar ajuda.

Ela é a cantora da seresta que acontece toda última sexta-feira de cada mês na instituição e uma das idosas com mais autonomia do local. Como ela passa o dia passeando, é difícil até encontrá-la.

Mas quem vê tamanha alegria e vitalidade nem de longe imagina as dificuldades que ela já passou. Mãe de quatro filhos, Marinha perdeu dois. Para não se entristecer, ela prefere se envolver com as atividades da instituição, entre elas música, ginástica e bordado, esta última de suas atividades preferidas.

“Neste lugar consigo esquecer um pouco a saudade que tenho de meus filhos. Os que ainda vivem me visitam com frequência e também vou vê-los. Eles até queriam que eu fosse morar com eles, mas não gosto de incomodar. Preferi ficar no abrigo onde recebo a assistência e me divirto”, contou.

Trajetória – Marinha é filha de um português com uma descendente de escravos. Seus pais se conheceram em um bar, no qual a mãe dela foi trabalhar como cozinheira. Eles tiveram 11 filhos. Destes, cinco mulheres, quatro delas receberam nomes de flores, menos Marinha, a caçula, que recebeu o nome de uma tia, a quem seu pai queria homenagear.

Marinha se casou com 15 anos e aos 16 teve o primeiro filho. Mas o casamento não deu certo. O marido era muito violento, e o casamento foi marcado por agressões físicas. Desta relação nasceu Marco Antônio e Marcio (falecido).

Dez anos depois da separação, ela conheceu o segundo marido, com quem teve mais dois filhos: Mauro Sergio e Mario Jorge (falecido). Anibal -que foi o grande amor de sua vida - morreu sete anos depois, Com a morte do companheiro, Marinha passou a cuidar sozinha dos filhos e trabalhou como cobradora de ônibus, cozinheira e cuidadora de idosos.

‘Vivo cada momento com toda a alegria’

Quando se aposentou e o filho Mario Jorge foi morar em Mina Gerais, a idosa que era muito ligada a ele, foi viver com ele. Só que ele morreu de um infarto fulminante. Na época, a casa em que vivia,em Santa Rosa, antes da viagem, desmoronou com as chuvas de 2010. A parte que sobrou foi condenada pela Defesa Civil.

De volta ao Rio, a idosa foi viver no Luiz Caçador, em São Gonçalo, e deixou o lugar para viver no abrigo.

“A vida nos dá motivos para chorar mas nos compensa com razões maiores para sorrir. Vivo cada momento com alegria. Gosto de sair e ter minha autonomia. O abrigo me dá tudo que preciso, gosto de viver aqui”, finalizou.

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