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Série Os Invisíveis: Conheça o ambulante que sonha se tornar um grande empresário

Anderson Ferreira precisou se reinventar aos 36 anos

relogio min de leitura | Redação 27 de novembro de 2019 - 16:20
Anderson Ferreira, 36 anos, vende doce nos ônibus de São Gonçalo e Niterói
Anderson Ferreira, 36 anos, vende doce nos ônibus de São Gonçalo e Niterói -

Por Thalita Queiroz*

Um homem que trabalhou a vida toda, se dedicou anos a uma empresa do ramo naval e com uma família para sustentar se viu em uma situação complicada. Há três anos desempregado, Anderson Ferreira Pereira, de 36 anos, precisou de reinventar e arranjar um jeito de conseguir uma renda no final do mês.

O morador do bairro Coelho, em São Gonçalo, encontrou uma oportunidade de conseguir ter uma condição de vida melhor depois que se tornou vendedor ambulante dentro dos transportes coletivos. “Eu vi a minha família em apuros, os cartões de créditos estavam todos vencidos e eu só tinha R$ 40 no bolso. Foi nesse momento que tive a coragem de investir esse valor em doces e coloquei o pé na rua para vender”, diz Anderson.

O vendedor ambulante percorre diversos trajetos pelas cidades de São Gonçalo e Niterói oferecendo doces para os passageiros. A rotina é intensa, na parte da manhã ele fica responsável por cuidar e levar o filho na escola, e de 13h às 22h ele dá início ao seu dia de trabalho. Mas durante o seu trabalho ele precisa enfrentar algumas barreiras que para ele são cruéis. A indiferença das pessoas ao vê-lo oferecendo um produto no ônibus é algo frequente para ele.

“O que mais tem são pessoas que não param nem para ouvir o que você tem a falar, não seguram nem o produto que estamos vendendo, isso sim é complicado, você não tem nem o incentivo da pessoa com quem você está falando. O preconceito existe, eu sinto isso todos os dias”, conta ele que está nessa área desde que perdeu o emprego em um estaleiro. “Teve uma vez que uma passageira começou a falar em voz alta que estava incomodada comigo ali dentro”, lembrou ele.

No Brasil, cerca de 38,8 milhões de pessoas, segundo pesquisa da Revista Exame, vivem em situação de emprego informal. Uma parte dessas pessoas encontraram nas vendas dentro dos ônibus, uma luz no fim do túnel. “Ninguém gosta de ser ignorado, a gente está ali porque precisa, há centenas de chefes de família que passam por isso todos os dias, são desprezados por algum gesto ou alguma palavra, sabe”, diz o vendedor ambulante.

Por trás desse trabalhador que encara o público todos os dias e mesmo assim não é visto pela maioria, há um homem, pai de família e sonhador. Anderson diz que almeja se tornar um empresário de sucesso na área de alimentos. Ele se inspira no empresário Rick Chester, um vendedor de água em Copacabana que hoje dá palestra para o mundo todo e até já escreveu um livro.

Mas enquanto ele percorre o longo caminho, Anderson faz um pedido para todos aqueles que optam por ignorá-lo: “Queria que as pessoas tivessem respeito porque  atrás daquele doce tem um chefe de família e tem um lar que depende desse trabalho”, finaliza ele.

Amanhã (26), a série vai contar a história da vendedora de chips de celular, Ana Paula, que conheceu o seu marido enquanto oferecia os produtos no centro de Niterói.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Soares

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