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Os Invisíveis: Ana Paula distribui panfletos no centro de Alcântara, faça chuva ou faça sol

Conheça a história da mulher que era cuidadora de idosos

relogio min de leitura | Redação 26 de novembro de 2019 - 15:34
Ana Paula afirma que na maioria das vezes é ignorada pelas pessoas
Ana Paula afirma que na maioria das vezes é ignorada pelas pessoas -

Por Thalita Queiroz*

Alcântara é conhecido como o coração da cidade de São Gonçalo, um local de movimento intenso onde passam incontáveis pessoas, com destinos diferentes mas com a mesma pressa de sempre. Basta um olhar atento para perceber o primeiro ‘ser invisível’, o distribuidor de panfletos. Em uma tentativa frustrada de conseguir alguns segundos da atenção de quem passa, esse trabalhador tenta se manter firme, seja no sol do meio dia ou seja na chuva, que é rapidamente resolvido com uma capa de plástico, nada impermeável.

Acorda bem no comecinho da manhã, ainda com o sol nascendo, toma um café, veste uma roupa e vai para a luta. Ana Paula do Espírito Santo tem 40 anos, trabalhava como cuidadora de idosos e, assim como 27,5 milhões de brasileiros, ela ficou desempregada. A solução que ela encontrou foi trabalhar entregando panfletos no centro de Alcântara, se juntando aos 39 milhões de trabalhadores informais. Um, dois, três… até que as contas de quantas pessoas ignoraram Ana Paula foi perdida.

A ex-cuidadora de idosos precisou entrar nesta empreitada para ajudar nas despesas dos seus dois filhos e das tias. De 9h até às 17h30 é possível encontrar com ela lá. “Foi muito difícil para mim no primeiro dia, parecia que eu nem estava ali, eu senti vergonha no começo mas depois você vai se acostumando”, diz ela que ao mesmo tempo que conversa com a equipe do jornal OSG, não para em nenhum momento de tentar entregar os panfletos que divulga o trabalho de uma clínica odontológica.

Em um outro momento uma senhora que estava andando pelo calçadão da rua movimentada, faz uma cara de poucos amigos e desvia brutalmente de Ana Paula. Essa mesma senhora vestia uma camisa com um tema religioso, onde estava escrito “Ter Jesus no coração é ser feliz de novo”. Para Ana Paula aquela situação não fugia da normalidade. “Hoje em dia eu não fico mais tão sentida quando vejo alguém cortando caminho para me evitar. Hoje eu tiro de letra”, diz ela.

Foram poucos os que realmente tiraram um segundo do seu dia para dar visibilidade à Ana Paula. Um deles foi Diego, de 57 anos. Ao passar por ela ele abriu um largo sorriso e aceitou o papel, uma atitude que para ele é o mínimo a ser feito. “Eu acho que é um trabalho honesto e importante. Por exemplo, eu estou pesquisando preços para um tratamento nos dentes e ela está distribuindo um panfleto exatamente com essa informação”, disse ele que afirmou que tem o costume de pegar os panfletos na rua. “Eu acho que você tem que valorizar o ser humano. Não apenas valorizar mas incentivar o trabalho do outro também”, concluiu Diogo.

Ana Paula diz que tem projetos e sonhos que ela idealiza conquistar e que se ela trabalha com isso hoje é porque sabe onde quer chegar. O ser invisível que também tem sentimentos deseja ser saudado com a mesma dedicação que um cliente saúda o gerente de um restaurante ou da mesma forma como a secretária do consultório médico é recebida pelos pacientes.

No episódio de amanhã (27), você vai conhecer a história de o vendedor ambulante que anda pelos ônibus da cidade, Anderson Ferreira.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Soares

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