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Série Os Invisíveis: Conheça o gari coletor que sonhava em ser jogador de futebol

Gabriel diz que os desafios no dia a dia são grandes

relogio min de leitura | Redação 25 de novembro de 2019 - 13:50
Gabriel Fernandes, de 24 anos, trabalha há pouco mais de um ano como gari coletor nas ruas do Coelho, em São Gonçalo
Gabriel Fernandes, de 24 anos, trabalha há pouco mais de um ano como gari coletor nas ruas do Coelho, em São Gonçalo -

Por Thalita Queiroz*

Durante toda a semana o jornal O SÃO GONÇALO vai contar histórias de trabalhadores como garis, panfleteiros, vendedores ambulantes e telemarketing que passam despercebidos no dia a dia e se tornam figuras invisíveis aos olhos da sociedade. A série Os Invisíveis vai mostrar quem são esses trabalhadores que lutam dia e noite em busca de um objetivo.

O primeiro personagem da série Os Invisíveis é Gabriel Fernandes de 24 anos, gari coletor na cidade de São Gonçalo. A saída da garagem acontece às 6h30 e a volta é às 15h e junto de uma equipe composto de outros 3 coletores mais o motorista, Gabriel segue a sua rotina diária. Deixa em casa a esposa Laylla Santos e o seu filho de 1 ano e 7 meses, o pequeno Arthur Gabriel. Com o brilho nos olhos ele revela de imediato: “Levanto para trabalhar todos os dias por eles e para eles, a minha família”, compartilha com emoção o jovem que sustenta a casa sozinho com o emprego de gari coletor.

Durante toda manhã e começo da tarde, Gabriel e sua equipe partem pelas ruas do bairro Coelho, em São Gonçalo, para recolher o lixo dos galões, lixeiras , sacolas, entre outros. Um trabalho exaustivo que requer muita disciplina, boa forma física e ter muito fôlego para aguentar o ritmo intenso. Não há tempo sequer para parar e descansar. Costurando as ruas do bairro, a equipe vai aos poucos concluindo a missão.

Por trás do esse gari coletor existe um Gabriel que tinha o sonho de ser jogador de futebol profissional, mas devido à falta de oportunidade no clube que atuava na época e o pouco salário, ele precisou seguir novos rumos e foi nesse caminho que conseguiu um emprego como gari coletor. “Eu estou trabalhando na empresa há cerca de 10 meses e no meu primeiro dia aqui foi muito difícil. Cheguei em casa muito cansado e o desgaste é muito grande, mesmo eu já vindo de uma rotina do esporte a gente sente sabe”, conta ele. 

Sobre o termo “lixeiro”, Gabriel tem uma opinião bem clara sobre isso. “Eu vejo os pais ensinando as crianças a chamar de ‘lixeiro’. Eu jamais vou ensinar meu filho dessa forma. Vou ensinar que somos garis coletores e eu acho que na verdade as pessoas ainda usam esse termo por ser algo da criação dentro de casa”, conta ele que revela que os olhos atravessados, a mudança de calçada e principalmente a mão no nariz para não sentir o cheiro ruim que o caminhão deixa é algo frequente.

O pai do Arthur compartilhou uma situação que lhe marcou durante esses meses como funcionário da empresa Marquise, responsável pela coleta de lixo da cidade de São Gonçalo. “Temos o costume de falar com as pessoas que estão na rua, cumprimentar e tudo mais, e aí teve uma vez que parei para falar com uma senhora e ela disse “Ah, todo sujo vindo falar com a gente?”, disse ela bem alto”, conta Gabriel.

Ele diz que é comum passar despercebido pelas pessoas na rua. “Claro que tem gente que para o que ta fazendo, oferece uma água, responde o nosso bom dia, mas o número de pessoas que simplesmente nos ignoram é grande ainda”. Entre a equipe há um ‘pacto’ de toda vez que eles ouvirem algum tipo de comentário maldoso, incentivar o colega a não se importar muito com isso. “Vamos lá cara, vamos trabalhar, não liga não”.

Gabriel pretende continuar nesse trabalho por um bom tempo e não pretende ir para outro lugar. “Toda a minha família me apoia, minha avó está muito feliz por eu estar empregado. É claro que todo trabalho tem o seu lado bom e o lado ruim, ainda mais a gente que trabalha na rua, mas isso não me desanima não”. Ele ainda completa: “É claro que eu gostaria que as pessoas tivessem mais consideração com o nosso trabalho e dessem valor”, finaliza ele com um tom de esperança que um dia a concepção do gari coletor mude.

Amanhã (25), veja a história da distribuidora de panfletos Ana Paula do Espírito Santo.

*Estagiária sob supervisão Thiago Soares

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