Na crise, gonçalenses 'se viram nos 30' para enfrentar o desemprego

Munícipes estão se reinventando

Enviado Direto da Redação

Daniela Scaffo 


Em épocas de crise financeira e desemprego, muitas pessoas costumam se desesperar ao notar que não terão condições de conseguir suprir as necessidades pessoais e da família. Porém, como diz o ditado, “enquanto uns choram, outros vendem lenços”, alguns gonçalenses têm driblado a crise e 'se virado nos 30', aproveitando as oportunidades que surgem.


Esse é o caso da moradora do Portão do Rosa, Adriana da Rosa, de 45 anos. Ela pediu demissão do emprego de balconista, em março deste ano, ao qual estava há cerca de sete anos, por não se sentir mais satisfeita na função.


Menos de um mês depois, Adriana decidiu abrir uma barraquinha de pastel em frente a Universidade Salgado de Oliveira (Universo), na Trindade.


"Eu trabalhava de balconista e não queria mais aquilo para minha vida. Eu sonhava em ter algo que fosse meu. Foi, então, que resolvi partir para o ramo do pastel. Eu sempre trabalhei em comércios, meu antigo emprego era um bazar que trabalhava com vários tipos de produtos. Aqui na Trindade eu tenho um público certo e o local é muito tranquilo para trabalhar", explicou a comerciante.


Os pastéis, além de deliciosos, tem um diferencial: os clientes escolhem o próprio ingrediente, na hora, podendo misturar alguns sabores, como carne moída, frango, carne seca, calabresa, mussarela, presunto, queijo branco, e os complementos: tomate, cebola, ovo, azeitona, milho, passas, catupiri, cheddar, alho e orégano.


Por dia, Adriana consegue vender, em média, 60 a 70 pastéis. Além dos pastéis, ela ainda comercializa batata frita, doces, refrigerantes e guaraná. 


"Eu moro com a minha mãe, Zenir, de 77 anos, e com meu filho mais novo, Gustavo, de 18, que é quem me ajuda a preparar os recheios. Com isso, consigo suprir todas as necessidades da minha família", explicou.


Outro- Desempregada desde fevereiro deste ano, a diagramadora Eliane Pereira, de 46 anos, também teve que se reinventar para fugir da crise. 


Ela explica que, assim que foi demitida da empresa que trabalhou por anos, começou a revender produtos de catálogos para distrair a mente. Porém, logo percebeu que precisaria fazer algo mais para manter a casa.


Foi em 13 de setembro que Eliane inaugurou sua barraca na Praça da Trindade, onde vende caipifruta, caipirinha, cerveja, água, guaraná maçã do amor. Com isso, Eliane consegue suprir as necessidades de seu filho, de cinco anos. 


"Por ser apenas três vezes na semana, na sexta, sábado e domingo, que são os dias de maior movimento, toda necessidade da família não consigo suprir, mas está ajudando muito. Agora estou pensando em fazer algo de segunda à quinta-feira. É uma labuta em um país que há mais de 30 milhões de desempregados", explicou.


Agora, a comerciante fez algumas economias domésticas: prioriza as necessidades do filho como educação, saúde, esporte e cultura e, antes de comprar qualquer coisa, pesquisa valores.

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