Finados: Mãe que perdeu dois filhos conta como lidou com o luto
Cabeleireira Luciana Valente passou 5 anos de luto

Por Thalita Queiroz*
No próximo sábado (2) é celebrado o Dia de Finados, data que marca a lembrança de pessoas que já faleceram. Alguns religiosos dedicam este feriado para ir até cemitérios ou à igreja afim de fazer orações pelos mortos. Para alguns, a data é marcada como um dia de reclusão em casa e viver o luto, seja mais antigo ou recente. Para outros, o dia de finados é usado para relembrar bons momentos de entes queridos que não estão mais entre eles.
Perder alguém não é um momento fácil mas é preciso viver o luto para, em seguida, dar lugar à saudade. O professor José Ricardo Bandeira, psicanalista forense e hipnoterapeuta explica:
“Este luto que é amplamente estudado pela psicanálise possui cinco fases distintas que são: a negação, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação. Essas fases não são obrigatoriamente vivenciadas nesta ordem e nem todas as pessoas passam por todas as fases, porém é necessário que se atinja a fase da aceitação para que a vida possa voltar ao normal, aceitar significa reconhecer que a pessoa partiu e não voltará, significa reconhecer que podemos e temos o direito de retomar nossas atividades e seguir com a vida”.
Luciana Valente, de 41 anos, tem marcada em sua vida uma história de perdas. Primeiro, ela perdeu uma filha com apenas 3 meses de vida e pouco tempo depois perdeu um filho de 17 anos, após sofrer um acidente de moto. A mulher, que trabalha como cabeleireira precisou sentir a dor e passar por doenças da mente como depressão e síndrome do pânico, para então, ressurgir das cinzas.
“A pior dor é a dor de uma mãe que perde um filho, agora imagina perder dois filhos em um curto espaço de tempo? Eu passei 5 anos atordoada, vivendo o luto, perdi a vontade de trabalhar e larguei minha loja e passava o dia culpando os outros pelo que havia acontecido”, conta a moradora do Colubandê, em São Gonçalo.
Depois de 5 anos de sofrimento, Luciana se mostrou forte e decidiu que sairia daquela situação dando a volta por cima e indo em busca dos seus sonhos, que até então estavam enterrados. “Deus não dá uma dor maior que não possamos aguentar. Essa mesma dor precisa ser superada, claro que ainda dói mas o que tem que ficar é a saudade”, conta ela.
Hoje, Luciana seguiu em frente e investiu na sua profissionalização, colecionando cerca de 58 diplomas, venceu o concurso ‘Tesoura de Ouro’ em 2018 e ganhou dois netos, filhos do seu filho João Victor de Almeida, de 22 anos. “Recebi dois presentes na minha vida que foi uma menina e um menino, são crianças que não substituíram o lugar dos meus dois filhos perdidos mas que de alguma forma supriram essa falta”, diz Luciana.
“Quanto antes tivermos consciência de que viver a vida não significa um desrespeito àquele que se foi, mais fácil será encarar essa nova jornada”, afirma o professor José Ricardo.
Ele ainda fala sobre o dia de finados. “Nesses dias de celebração de finados é lógico que a memória do outro e tudo o que ele representou fica mais ativa em nossa mente, sendo muito comum a volta da fase da negação, o que leva alguns a evitar ir ao cemitério e tocar nesse assunto. Precisamos portanto aproveitar essa época para celebrar a memória daqueles que partiram e que sem dúvida ainda vivem em nossos corações.
No Dia de Finados, Luciana confessa que não costuma ir até o cemitério mas que aproveita o dia para intensificar suas orações por seus dois filhos e também para relembrar os bons momentos.
Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas*