Uber completa 5 anos no Brasil e motoristas contam suas experiências
Profissionais sugerem recomendações para quem quer ser motorista do app

Por Ana Carolina Moraes*
A Uber acabou de completar seus cinco anos de existência no Brasil. Com mais de 600 mil motoristas e rodando em mais de 100 cidades brasileiras, o aplicativo gera muitos empregos e é uma nova opção para as pessoas conseguirem seu dinheiro, seja como uma renda extra ou principal.
Foi o que aconteceu com Daniel Pereira da Silva, de 59 anos. Ele trabalha no Uber há três anos, mas também já foi motorista de táxi. “Eu mudei do táxi para a Uber, porque eu não conseguia pagar a diária do carro do táxi em dia, foi aí que o patrão pediu o automóvel e eu comprei o meu. Depois disso, comecei na Uber”, afirmou o motorista de aplicativo.
Daniel, que tem na Uber a sua renda principal, afirma que prefere trabalhar no aplicativo, pois agora ele faz seu horário e trabalha de 8 à 10 horas por dia, quando no táxi ele trabalhava quase 15 horas. Além disso, no momento, ele também consegue pagar a prestação do carro e afirma que ganha uma renda que dá para pagar suas contas de forma tranquila. "Minha vida melhorou 100% depois do Uber", diz o motorista.
No entanto, Daniel ainda sente que a Uber precisa realizar mudanças para que acomode melhor os seus motoristas parceiros. “Eu acho que além de mudar as taxas de porcentagem que cobra das viagens dos motoristas, a Uber deveria mostrar para a gente a foto do passageiro que vamos pegar, pois ele mostra a nossa para o passageiro”, completou Daniel.
As taxas à que Daniel se refere é a porcentagem que o Uber recolhe dos motoristas por cada corrida, ou seja, o motorista recebe o dinheiro das corridas, mas aquele valor integral não é dele, existe uma quantia do dinheiro que vai para a Uber.
Já para Elídio Costa, de 31 anos, que cursa sua segunda graduação na Universidade Federal Fluminense (UFF), a ideia de ser motorista do aplicativo é diferente e não o agrada. Ele, que já era formado em matemática, ingressou no curso de história em 2015 e viu que se manter na faculdade não seria fácil, por isso, optou por virar Uber para conseguir uma renda que o ajudasse.
“No início, eu comecei a dirigir táxi, pois eu tinha um amigo que era taxista e sustentava a família. Eu trabalhava das 5h às 17h. Fiquei um ano no táxi, até que a demanda foi caindo. Nesse momento, um amigo meu resolveu trabalhar na Uber e me chamou para dividir o carro com ele. A partir daí, entreguei o táxi e comecei na Uber. Meu objetivo era trabalhar e estudar." Ele ficou dois meses como motorista do aplicativo.
Elídio conta que, para ele, a situação foi ruim, pois ficava muito cansado e chegava, às vezes, a dormir no carro quando fazia algumas viagens à noite. “O carro ficava praticamente o tempo todo comigo. Quando eu saía da aula, já ligava o aplicativo e fazia algo por Niterói e pelo Rio. Muitas vezes, eu acabava uma corrida, estacionava o carro em uma rua fechada de São Conrado e acabava dormindo por lá. Eu acordava às 6h da manhã com o barulho da Uber e ia trabalhar novamente.”
Ele também afirma que trabalhava 16 horas por dia no aplicativo. O ex-motorista ainda conta que é necessário trabalhar muito para ter uma renda boa na Uber, pois têm corridas muito baratas para os passageiros e que geram pouco dinheiro para os motoristas, assim como tem corridas caras e que geram muito dinheiro, mas não tem como saber qual é qual e contar com isso todo mês.
Elídio divide um pouco de sua experiência como motorista de aplicativo e conta o lado bom e ruim dos dois meses que esteve na Uber. “É uma faca de dois gumes né? Você tem a liberdade para fazer seus horários, se precisar ir ao médico, é só ir, não tem que dar satisfação à um patrão direto. Mas, as taxas que os motoristas pagam são absurdas, seja de reembolso ou para o próprio aplicativo com viagens. Além disso, alguns passageiros exigem que você tenha uma simpatia e uma educação quase como se você precisasse estender o tapete vermelho para ele".
A Uber tem diferentes categorias em seu aplicativo, a “Juntos” com os menores preços e que você divide a viagem com alguém que tem o caminho parecido com o seu; a "Uber X", um pouco mais cara que a anterior, mas a viagem é só sua; a "Uber Select" com um preço 20% acima da última categoria, mas com carros mais novos; e a "Uber Black", com um preço mais caro, com carros em melhores condições e com mais privilégios, recomendada para ir à uma reunião de trabalho, por exemplo. Além disso, existem os motoristas VIPS, que têm as melhores classificações e que só pegam passageiros também VIPS.
Para ser motorista da empresa, basta se inscrever pelo aplicativo ou pelo site e enviar uma foto de seus documentos, como CNH, o CRLV do veículo, uma foto sua e outra do seu carro, para que ele passe por uma “vistoria” pela Uber, que vai confirmar se o veículo está em bom estado, atende aos pré-requisitos propostos pela empresa e tem meios de dar conforto aos passageiros, como, por exemplo, ar condicionado e rádio. O processo também pode ser feito em uma unidade física da Uber.
Daniel acredita que a Uber oferece um serviço com um preço ótimo e de qualidade. Ele ainda dá um conselho para quem quer ser motorista do aplicativo. “Pode vir! Mas seja profissional.” Já Elídio, conta que a experiência não valeu a pena para ele e diz: “Você não tem como crescer na empresa, sempre será um motorista. E a pessoa também não tem tempo de crescer intelectualmente, já que não consegue nem ler um livro entre uma corrida e outra, porque o espaço entre elas é de pouco tempo e você sempre tem que manter uma rotina de trabalho para ter uma renda boa".
Vale lembrar que na Uber os motoristas prestam serviços à empresa, mas não tem vínculo trabalhista com ela, por isso, benefícios concedidos pela lei, como férias e 13° salário, não se aplicam aos motoristas do app.
Estagiária sob supervisão de Cyntia Fonseca*