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‘Recuperei a dignidade e o amor da minha família’

relogio min de leitura | Redação 19 de julho de 2015 - 19:58

Raimundo Moraes, de 71 anos, mora no Abrigo Cristo Redentor

Foto: Alex Ramos

O Abrigo do Cristo Redentor, na Estrela do Norte, em São Gonçalo, não ganhou este nome por acaso. É lá, que muitos idosos encontraram a sua real redenção, ou seja, libertação dos males e do sofrimento. Foi isso que aconteceu com ex-taxista Raimundo Souza Moraes, 71 anos, em 15 de abril de 2009, quando segundo ele, aconteceu seu “renascimento”. Raimundo é o décimo personagem da série de O SÃO GONÇALO, que conta a história dos residentes da instituição.

O idoso chegou à instituição debilitado pelo uso compulsivo de álcool. E por conta do vício, ele perdeu o respeito de sua família e acabou indo morar na rua. Resgatado, ele foi levado ao abrigo e viu ali a chance de se melhorar e aproveitar todo significado da palavra redentor (Libertador; que é capaz de redimir, de libertar, de salvar: Cristo Redentor).

“Quando me trouxeram para cá, vi a imagem do Cristo com os braços abertos me tocou profundamente. Vi que essa era a última chance que tinha de recuperar a minha dignidade. Foi como se Cristo me desse um pedaço de madeira para segurar durante um naufrágio. Segurei aquela madeira com toda fé é fui salvo”, contou.

Raimundo, atualmente, não bebe mais e sua alegria nem de longe remete à tristeza que ele teve no passado. Ao contrário, o idoso é muito respeitado pelos seus colegas e costuma aconselhá-los sempre que necessário.

“Quando tive a entrevista com a assistente social disse a ela que não beberia nunca mais. Porém isso não era uma promessa para ela mas para mim. Nunca me senti tão feliz. Estou vivendo o melhor momento de minha vida. Aqui posso multiplicar tudo o que apreendi. E o melhor, recuperei o amor da minha família”, contou.

Trajetória - Raimundo nasceu na Bahia, no Nordeste do Brasil, e veio para o Rio de Janeiro na adolescência. Ele viajou longas horas de caminhão até chegar à casa de parentes no Bairro de Fátima, na região central da cidade do Rio. Ele se casou duas vezes. O primeiro relacionamento durou apenas três meses. O segundo durou 40 anos e dele nasceram três filhos.

O idoso conheceu a bebida com 14 anos e, aos longo dos anos, o uso continuo foi atrapalhando sua vida. Taxista da frota Rio, ele perdeu seu táxi e ficou sem ter como trabalhar. Com ajuda de um amigo, ele foi levado ao Abrigo Cristo Redentor de onde não deseja mais sair.

“Minha família me convida para viver com eles, mas não posso fazer isso. Vou visitá-los sempre. Não me imagino morando em outro lugar que não seja aqui. No abrigo, encontrei a minha paz”, finalizou sorridente.

Por Marcela Freitas

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