INSS: sem previsão de volta
Agência do Centro está fechada e a do Porto Velho só faz perícias agendadas pelo 135

Gonçalenses que procuraram serviços nas agências da cidade não conseguiram resolver problemas
Foto: Alex RamosPor Marcela Freitas
Cerca de 70% das agências do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) de todo o país aderiram à greve, iniciada na última terça-feira, por tempo indeterminado. Em São Gonçalo, a agência do Centro está fechada. Já a agência do Porto Velho atende apenas as perícias agendadas.
O movimento é nacional e integra a campanha salarial geral do funcionalismo, que luta pela reposição das perdas salariais (27,3%), data-base, paridade entre ativos e aposentados, dentre 20 itens já apresentados ao Ministério do Planejamento. Mas a paralisação é também por reivindicações específicas, como melhores condições de trabalho e aumento do auxílio-alimentação.
“Não há ainda um quadro nacional ou estadual da greve, mas sabe-se que na terça-feira, aproximadamente 45% das agências deixaram de atender. Hoje (ontem), o número foi maior e pode chegar a 70%”, disse uma das integrantes do comando de greve, Janira Rocha, que percorreu algumas agências do Rio que ainda estavam funcionando e conseguiu que grande parte aderisse à greve.
Ainda segundo Janira, amanhã, uma assembleia, marcada para acontecer às 16h na sede do sindicato, na Lapa, Rio, vai definir os rumos da paralisação. Os trabalhadores também solicitarão uma representação em Brasília com o ministro da Previdência Social.
Como buscar ajuda – Os segurados que possuem agendamento para atendimento em uma Agência da Previdência Social (APS) e que não sejam atendidos em razão da paralisação dos servidores terão sua data de atendimento remarcada. O reagendamento será realizado pela própria APS e o segurado poderá confirmar a nova data ligando para a Central 135 no dia seguinte à data originalmente marcada para o atendimento.
O INSS considerará a data originalmente agendada como a data de entrada do requerimento para evitar qualquer prejuízo financeiro nos benefícios dos segurados.
A Central de Atendimento 135 está à disposição para prestar estas e outras informações e orientar os segurados.
População não consegue atendimento
Quem buscou atendimento na agência do Porto Velho, ontem, foi orientado pelos vigilantes a acessar o serviço online ou retornar a agência após a greve. “Estou esperando receber uma carta que me dará o direito ao auxílio doença. Como não recebi e já se passaram 20 dias, vim em busca de informações. Mas não consegui nem entrar na agência”, disse José Alberto Vieira, de57 anos, que trabalha como carregador de caixas no Ceasa e recentemente teve complicações no coração.
Outro que não conseguiu atendimento foi o metalúrgico Sirlei da Silva Costa, 54. “Preciso de um comprovante que estive na unidade para realizar a perícia para o auxílio doença, que a empresa me solicitou. Mas não consegui o atendimento. Tentei pela internet e também não foi possível”, afirmou.
Quem conseguiu atendimento, ficou com a incerteza de uma resposta. “Estava com minha perícia agendada. Perdi a visão do olho direito trabalhando e estava recebendo o auxílio doença. Só que me deram alta e, por isso, solicitei nova perícia. Com essa greve, não tenho ideia de quando receberei minha resposta”, contou Marcos Antônio Gomes, 62, que trabalhava como operador de roçadeira.
Em nota, o Ministério da Previdência Social informou que tem baseado sua relação com os servidores no respeito, no diálogo e na compreensão da importância do papel da categoria no reconhecimento dos direitos da clientela previdenciária e, por isso, mantém as portas abertas às suas entidades representativas para a construção de uma solução que contemple os interesses de todos.
