Burocracia emperra a ciência
Pesquisa da UFF para cura de câncer cerebral está parada por falta de patente
Por Dayse Alvarenga e Paula Rodrigues
Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que pode reduzir o tumor e aumentar a expectativa de vida de pacientes com câncer, bateu de frente com a burocracia do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) para conseguir patente. Mesmo em se tratando de saúde, o processo segue na Justiça há mais de uma década.
O neurocirurgião Clóvis da Fonseca, responsável pela pesquisa, conta que passou cerca de 25 anos estudando a possibilidade de aplicação do álcool perílico, encontrado em plantas, no tratamento de câncer cerebral.
Mas por causa da dificuldade de conseguir a patente, o medicamento segue ainda em fase de testes, apesar dos resultados surpreendentes já constatados por muitos pacientes.
Segundo Clóvis, mais de 600 pessoas já experimentaram a nova técnica e apresentaram melhora significativa. Dentre elas, 25% estavam em estado grave, ou seja, com índice de sobrevida de dois meses após a medicação a expectativa aumentou para dois anos.
Mas para conseguir produzir o medicamento em larga escala é necessária a concessão do INPI.
“Esta burocracia fez com que nós, estudiosos, procurássemos parceiros nos Estados Unidos, onde nos foi concedida autorização em apenas dois anos”, lamentou ele.
O INPI afirmou que a concessão foi extinta por falta de pagamento de anuidades.
