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Postar vídeos dá dinheiro

Jovens podem ganhar até R$50 mil caso alcancem até 1 milhão de visualizações

relogio min de leitura | Redação 26 de abril de 2015 - 23:08

Os amigos Alan, Rafael e Isaú fazem parte do Canal Ixi, considerado o terceiro mais popular em esquetes de humor do Youtube

Foto: Reprodução Internet

Na década de 60, auge do cinema brasileiro, o lendário Glauber Rocha lançou a velha máxima “Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” para dar vazão à tanta criatividade. Se pudéssemos fazer um paralelo com os dias atuais, a internet é o principal veículo para jovens, entre 18 e 25 anos em média, postarem seus vídeos, principalmente com temáticas de humor e ainda ganharem dinheiro. Não se tem ainda estatística sobre esse contingente da nova “profissão” no Brasil, os chamados youtubers, numa referência ao canal, mas pelo menos 4 mil deles estão registrados na Paramaker, a única empresa instalada no Brasil que dá suporte a esses jovens.

“Eles não recebem salário. Recebem diversos serviços, como consultoria técnica e criativa, apoio jurídico, divulgação e promoção quando cabível, possibilidade de inserção em campanhas publicitárias e estúdio para gravar os vídeos. A Paramaker retira de 10% a 40% dos rendimentos do canal conseguidos com publicidade em troca dos serviços. Quanto maior o canal, menor a porcentagem”, explica o supervisor de relacionamento da Paramaker, Bernardo Reston.

Segundo o executivo, com pouco mais de dois anos de existência, a empresa já conta com mais de 3 mil canais cadastrados e selecionados a partir de palestras nas faculdades e indicações de funcionários. Os ganhos também são atrativos.

“Um youtuber que tenha entre 500 mil e 1 milhão de inscritos pode ganhar de R$6 mil a R$ 50 mil por mês, contando apenas a receita gerada por anúncios”, completou Bernardo.

É o caso dos três produtores do Canal Ixi, o terceiro mais popular em esquetes do Youtube, atrás apenas do Porta dos Fundos e Parafernalha. Em três anos de produção, o veículo de humor já conquistou mais 475 mil inscritos e apresentam uma média de 100 mil visualizações por postagem. A renda é suficiente para manter a produção independente, realizada pelos atores profissionais Alan Ribeiro, Rafael Portugal e Isaú Júnior, com muito humor e criatividade.

“Tudo começou com o vídeo ‘Como surgem os funks’ que, devido ao sucesso, se tornou, um tipo específico. Nas esquetes, buscamos retratar fatos do cotidiano, baseados nas observações que fazemos nas ruas. A gente percebe que a identificação do público com as referências ao trem e ao ônibus lotados, entre outras características que fazem parte da realidade do subúrbio”, explicou o ator Alan Ribeiro, co-fundador do canal “Os Bilugas”, criado em 2010 e antecessor do Canal Ixi. O jovem só não quis revelar o faturamento.

Sucesso com curiosidades do dia-a-dia

A niteroiense Alice Portugal produz e edita seus vídeos  (Foto: Luiz Nicolella)
A niteroiense Alice Portugal produz e edita seus vídeos (Foto: Luiz Nicolella)

Uma youtuber que também está fazendo sucesso é a niteroiense Alice Portugal, dona do canal com nome sugestivo: “Um beijo na bunda”, que ela mesma descreve como uma extensão dos seus pensamentos. Com apenas 20 anos, a estudante de Publicidade comenta sobre temas do dia-a-dia, responde perguntas e conta curiosidade da sua vida. Tudo isso com um toque de humor, produzido e editado por ela. O nome inusitado, segundo ela, é para dar ideia de proximidade com os internautas.

“Era assim que eu e minhas primas nos despedíamos. Por isso achei o nome perfeito porque queria passar exatamente essa ideia de intimidade com quem me assistisse”, justificou.

Apesar do sucesso do canal, que já atingiu cerca de 8 milhões de visualizações e já está próximo dos 183 mil inscritos, Alice conta que ainda não dá para ganhar muito dinheiro, sem revelar, no entanto, o valor estimado de renda mensal com os vídeos.

“Não tenho uma remuneração fixa, ganho pelas visualizações. A cada 1.000, ganho cerca de R$3. Mas não ganho só pelos vídeos naquele mês, são contabilizados todo o conteúdo do canal visualizado, desde o primeiro vídeo até o último postado, além das publicidades, o que dá uma média mensal de até dois dígitos”, disse Alice.

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