‘Só quero rever meus filhos’
Idosa do Abrigo Cristo Redentor sonha em localizar a prole que não vê há 15 anos

Célia Maria, de 67 anos, se arruma todo dia com a esperança de receber a visita dos filhos
Foto: Alex RamosPor Marcela Freitas
Todos os dias milhões de pessoas chegam em suas residências e nem percebem a importância de ter alguém lá esperando. E o que para muitos é imperceptível, para a carioca Célia Maria Carelli Braga, de 67 anos, é um sonho acalentado há pelo menos 15 de reencontrar os três filhos adultos. A idosa é uma das residentes do Abrigo Cristo Redentor (ACR), na Estrela do Norte, em São Gonçalo, e a quarta personagem, da série de O SÃO GONÇALO que conta histórias dos que vivem na instituição.
A história de Célia com o Abrigo começa em janeiro de 2012, quando ela foi levada para lá pela Fundação Leão XIII. Segundo a residente, ela passou 11 anos morando em outra instituição ligada à Fundação, mas sem nenhuma referência familiar. Mas foi graças ao projeto “Reencontro com famílias - realizado pelo setores de Serviço Social e Psicologia do Abrigo em parceria com Grupo de Apoio aos Promotores (GAP) do Ministério Público Estadual -, que a idosa pode reencontrar sua irmã, poucos meses após chegar ao ACR.
Como não poderia deixar de ser o reencontro foi marcado por forte emoção, que até hoje faz Célia se emocionar. Desde então, Sônia Regina, que mora em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, passou a visitar a irmã periodicamente na instituição.
Mas apesar da felicidade, Célia ainda guarda um sonho: rever os três filhos Gláucio, Gleice e Alexandre, que ele perdeu o contato quando quando dois últimos ainda eram menores. E para não fazer feio nesse dia, que ela imagina estar perto de acontecer, a idosa se arruma todos os dias com essa esperança.
“Acho que Deus ouviu as minhas preces e trouxe vocês (equipe de reportagem de OSG) para me ajudar. Minha irmã também perdeu o contato com eles e não tenho ideia de como posso localizá-los. Mas sei que nosso reencontro está próximo. Adoro morar no Abrigo, mas sinto falta dos meus filhos”, revelou.
A separação – Célia conta que viveu muitos conflitos familiares com o ex-companheiro. Com um histórico de agressões, ela chegou a se separar, mas grávida do primeiro filho retornou para casa. Após o nascimento de Gláucio, ela engravidou novamente, desta vez, dos gêmeos Gleice e Alexandre. Mas as brigas continuaram, e as agressões aumentaram.
Ela, então, desesperada, se separou, mas foi impedida pelo ex-companheiro de levar os gêmeos. Célia entrou em depressão, e um dia saiu da casa em que vivia com o filho mais velho, sem dar notícias.
Foram anos vivendo nas ruas, que ela não sabe nem precisar ao certo até que, em 2001, ela foi resgatada pela Fundação Leão XIII.
Mais reencontros - O projeto “Reencontro com famílias” já aproximou, desde 2009, 26 idosos do Abrigo Cristo Redentor de seus parentes.