Dia 6 de outubro marca o Dia Mundial da Paralisia Cerebral

Condição pode atingir dois a cada 1 mil bebês

Enviado Direto da Redação

Foto: Divulgação


O dia 6 de outubro marca o Dia Mundial da Paralisia Cerebral (PC), uma condição que afeta cerca de 17 milhões de pessoas no mundo. Coordenada pela World Cerebral Palsy Initiative, a data reforça a importância de conscientizar a população para a condição, visando aumentar a qualidade de vida de pessoas que convivem direta ou indiretamente com a paralisia, chamando a atenção para que os pacientes tenham seus direitos civis garantidos, opções de tratamento acessíveis, além de estrutura adequada de educação, entre outros temas.



A paralisia cerebral é a deficiência física mais comum na infância e se caracteriza por uma série de desordens cognitivas e motoras, afetando os movimentos e a postura. Essas alterações têm origem em uma lesão cerebral durante o desenvolvimento do bebê, seja ainda dentro do útero, durante o parto ou durante a infância.


Vários fatores podem levar à paralisia cerebral, entre eles, podemos citar: infecções que a mãe adquiriu durante a gravidez como é o caso do Zika vírus, falta de oxigenação cerebral da criança durante a gestação ou durante o parto, doenças genéticas, infecções como sarampo, entre outras causas.



Sinais e sintomas



Cerca de metade dos pacientes com paralisia cerebral podem evoluir com algum grau de deficiência intelectual. No entanto, o desenvolvimento da inteligência é normal ou até acima da média para outra metade. Tudo dependerá da extensão da lesão e onde ela está localizada, para que problemas de cognição, comunicação e até epilepsia possam surgir.



“Os sintomas principais da paralisia cerebral são aqueles que mexem com a parte motora, podendo afetar os braços e/ou as pernas. Dividimos os distúrbios em três tipos de definições. O tipo mais comum é o distúrbio espástico que atinge cerca 80% dos casos e deixa os músculos rígidos, o que dificulta os movimentos. Temos o distúrbio discinético, acontecendo apenas em 10 a 15% dos casos e caracterizado por movimentos involuntários, repetitivos e com mudança de postura. E o tipo mais raro, o atáxico, que acontece em cerca de 5% dos casos e apresenta tremores e falta de coordenação motora nos braços e pernas”, explica Dra. Simone Amorim, neurofisiologista e neurologista infantil. 



A rápida identificação dos sinais é uma forma de garantir que os tratamentos de reabilitação tenham uma boa performance e a melhor forma de identificá-los é entender os marcos do desenvolvimento infantil.



De acordo com a Dra. Simone, se aos três meses o bebê ainda não consegue sustentar a cabeça ou, se aos seis meses, ainda não senta sem apoio, pode haver algo errado com o seu desenvolvimento. “Por esse motivo, o acompanhamento da criança com o pediatra é tão importante. Somente o médico conseguirá fazer o diagnóstico e encaminhar o paciente para um especialista”, completa a especialista.



Tratamentos



A paralisia cerebral não se agrava, nem progride e pode atingir dois a cada mil bebês. A lesão pode causar desde uma ligeira perturbação, não muito visível e sem grandes perdas motoras, até as mais graves, impedindo que a criança ande ou se comunique. Existem variações entre um extremo e o outro, mas o tratamento sempre será multidisciplinar.



Além dos médicos neurologistas, uma criança com PC também pode precisar ser acompanhada por fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e psicólogos. Em muitos casos, o uso de medicamentos ou cirurgias para tratar a espasticidade – a rigidez muscular – são necessários.


Atualmente, pode-se optar por uso de toxina botulínica aplicada via injeção diretamente no músculo, relaxantes musculares via oral ou ministrados diretamente na medula espinhal. Todos os tratamentos têm como objetivo relaxar o músculo de forma parcial, facilitando a reabilitação e contribuindo para o bem-estar da criança.



“Os distúrbios associados a essa doença são variáveis. Algumas crianças podem apresentar dificuldade em controlar a urina, a saliva, sentir dor, apresentar distúrbios no comportamento ou apresentar algum prejuízo visual. É por esse motivo que a data é muito mais do que apenas gerar consciência sobre os sintomas, mas surge como uma necessidade de reivindicar uma sociedade mais inclusiva e compreensiva para lidar com esses pacientes e suas famílias”, finaliza a médica.


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