Microempreendedores são os que mais empregam no país no ano de 2019
Dados do IBGE apontam recuo do desemprego para 11,8%

Por Thalita Queiroz*
Procurando uma saída para driblar o desemprego em alta que o país vem passando nos últimos anos, os microempreendedores entram em cena para mudar a situação atual e buscar novos rumos para mudar a sua realidade econômica, e consequentemente, a situação econômica de quem procura uma oportunidade de trabalho, nesse cenário conturbado.
Ao analisar a taxa de desemprego no país, a situação pode parecer animadora para os mais otimistas. Acontece que desde a última divulgação do Instituto Brasileiro e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego recuou para 11,8%, se tornando inferior ao do trimestre passado, que chegou a 12,5%. O aumento dos microempreendedores que tiveram a iniciativa de empregar novas pessoas, faz parte dessa mudança, ainda que baixa, para o desemprego desenfreado.
Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o saldo de empregos gerados pelas pequenas empresas representou cerca de 72,3% no começo do ano de 2019. Essa porcentagem é três vezes maior que o saldo apresentado pelas grandes empresas.
Os números saem do papel e vão para a vida na prática. O microempreendedor Lucas Martiniano, de 24 anos, trilhou um caminho longo até chegar a sua loja física, onde vende tapioca e pratos executivos. No começo, o empresário iniciou o seu negócio alimentício vendendo tapioca em eventos e agora, que conseguiu aplicar o seu dinheiro, abriu uma loja na Alameda, em Niterói, em novembro de 2018, e com isso conseguiu ampliar a oportunidade de trabalho para outras pessoas.
Ele admite que a economia do país o ajudou a ter mais certeza de que queria ter o seu próprio negócio. "Abrir a loja foi mais um degrau para dar continuidade aos projetos. Pretendo abrir novas franquias pois, além de crescer o nome da Martiniano Tapiocaria, sei que outras pessoas vão ser empregadas", diz ele que abriu a primeira loja na Alameda pensando em manter os seus clientes fixos, conquistados com a barraquinha de tapioca, empreendimento inicial.
Rita de Cássia Nascimento, de 42 anos, trabalha junto com Lucas há pouco menos de 1 ano. Desempregada há um tempo, ela estava dentro da estatística de desempregados no país e agora, com o crescimento do negócio da tapiocaria, conseguiu sair. Mas o dono da loja, Lucas, afirma que a burocracia para o microempreendedor atrapalha o crescimento do mesmo. "A lei não é flexível assim, uma hora ou outra as regras aos poucos vão ter que ir se adequando com o cenário", diz ele otimista em poder empregar novas pessoas. “Consequentemente, se eu tenho mais funcionários, maior é a chance de aumentar a qualidade e quantidade do meu serviço”, completa ele.
Além de gerar empregos, os microempreendedores enxergam novos pontos positivos em meio a essa situação. Lucas vê a possibilidade de terceirizar um serviço como algo vantajoso. “Acredito que facilita para mim e para a pessoa que quer prestar os seus serviços e não fica preso só a uma empresa”, conta ele dando como exemplo o motoboy que trabalha para a Martiniano Tapiocaria como um "freela".
Outro microempreendedor que faz parte desses dados é o Maycon Miranda, de 31 anos, que começou um empreendimento junto com sua esposa Monique da Silva, de 27 anos, em 2016. De lá para cá, eles conseguiram ampliar o negócio e contam hoje com uma rede que atende mais de 900 clientes. A empresa Ecochoice, que oferece serviço de lavagem a seco para carros e estofados, tem 3 funcionários fixos e 1 que fica de ‘stand by’, para quando o movimento aumenta.
“Nós não exigimos que a pessoa que venha trabalhar conosco já seja um profissional, pois oferecemos um treinamento. Dessa forma a gente pode contratar alguém pela confiança que temos nela”, conta ele que confessa que, por trabalharem dentro da casa dos clientes, a confiança é o principal no funcionário.
O professor de economia da Universidade Federal Fluminense, Adauto Francisco Madalena, afirmou que a tendência mundial na economia é que os empregos em grandes empresas reduzam e que as pequenas empresas empreguem cada vez mais. "Se você precisa de um serviço, você não vai procurar em uma empresa que vai te cobrar um alto custo, pois é preciso contar com os gastos que essa empresa de grande porte vai ter. Mas, se você procura esse mesmo serviço, com a mesma qualidade, em uma empresa menor, os custos deles serão proporcionalmente menor", explicou o economista.
Ele ainda revelou que é preciso ter cautela ao relacionar os números da taxa de desemprego com os microempreendedores. "São vários fatores que estão ligados à isso e é preciso analisar muito bem o contexto em que esses números estão inseridos. Mas, acredito sim que o aumento de microempreendedores no país contribui para as ofertas de emprego”, conclui o professor de economia.
*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas